O desaparecimento e a morte do empresário Adalberto Amarílio Júnior, de 35 anos, completam exatamente um ano neste sábado, 30 de maio de 2026, sem que a família tenha respostas sobre a autoria ou a motivação do crime.
O caso, que inicialmente foi tratado como um sumiço após um evento público de motociclismo no Autódromo de Interlagos, na Zona Sul da capital paulista, transformou-se em uma complexa investigação de homicídio.
Um ano após o trágico episódio, parentes e amigos convivem com a dor da perda e com a frustração diante da ausência de culpados e de esclarecimentos sobre a dinâmica dos fatos.
O drama familiar teve início na noite de 30 de maio de 2025, quando Adalberto, após passar o dia divertindo-se no evento automobilístico, decidiu retornar para casa. “Minha vida desmoronou”, declarou a viúva.
Conforme os dados levantados pela investigação policial, o empresário estava na companhia de um amigo que havia ido de motocicleta até o local, onde tudo aconteceu. Como estava de carro, Adalberto informou que faria um trajeto por dentro das dependências do próprio autódromo para acessar o estacionamento onde o veículo estava recolhido.
A partir daquele instante, o homem interrompeu toda a comunicação, deixando de responder às mensagens e chamadas telefônicas de sua esposa, Fernanda Dândalo, o que mobilizou familiares em buscas e no registro formal de um boletim de ocorrência.
Após três dias de buscas intensas, o desfecho mais temido pela família confirmou-se na terça-feira seguinte, quando operários localizaram o corpo do empresário escondido dentro de uma canaleta em uma área de obras próxima ao kartódromo de Interlagos.
O cadáver apresentava condições incomuns que imediatamente despertaram a suspeita das autoridades de segurança pública: Adalberto estava desprovido de suas calças, de suas botas e de seu boné.
Inicialmente, o corpo não exibia marcas visíveis de violência ou lesões aparentes, contudo, o laudo necroscópico emitido posteriormente pelo Instituto Médico Legal (IML) foi categórico ao apontar que a causa do óbito decorreu de asfixia mecânica.
Segundo a autoridade policial, um capacete foi encontrado sobre o crânio da vítima, mas posicionado de forma invertida, o que indica que o objeto foi intencionalmente jogado ou colocado sobre o empresário após o óbito.
A linha de investigação principal do departamento trabalha com o entendimento de que Adalberto não caiu no buraco da obra por conta própria, mas sim que foi depositado na canaleta quando já estava inconsciente ou sem vida.
Os investigadores também consideram a possibilidade cronológica de que o corpo tenha sido transportado e desovado naquele ponto específico de Interlagos apenas no dia seguinte ao desaparecimento.
Para a viúva, Fernanda Dândalo, com quem Adalberto era casado havia oito anos, o período de um ano de espera representa uma fase de profunda delicadeza e solidão, agravada pela falta de desfecho jurídico.
Em entrevista, ela relatou o impacto devastador em sua rotina e a interrupção abrupta dos planos do casal, que havia acabado de se mudar para uma nova residência e planejava iniciar a transição para ter os primeiros filhos.
Enquanto o DHPP prossegue com as diligências em busca de testemunhas, imagens de câmeras de segurança e provas técnicas, a família sobrevive em meio ao luto, clamando por justiça e por respostas.

