A força devastadora da natureza voltou a transformar uma paisagem marcada por montanhas imponentes em uma área de destruição e incerteza. Uma avalanche repentina atingiu nesta quarta, dia 26 de agosto, a região de fronteira entre o Nepal e o Tibete, provocando uma enorme enxurrada de lama, pedras e água que avançou pelos vales, derrubou pontes, atingiu vilas e destruiu estruturas importantes.
Até por volta das 12h, as autoridades contabilizavam 98 mortos e 844 desaparecidos. No Nepal, eram 95 vítimas fatais e 579 desaparecidos. No lado tibetano, controlado pela China, havia três mortes e 265 desaparecidos. Entre os desaparecidos estão centenas de viajantes, incluindo 341 estrangeiros. Até a atualização das informações, não havia confirmação sobre a presença de brasileiros entre eles.
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A área atingida possui grande importância turística e estratégica. O território abriga rotas utilizadas por visitantes que percorrem a famosa trilha de Langtang e por peregrinos que seguem em direção ao Kailash Mansarovar. Também estão na região usinas hidrelétricas, vilas, cidades e um importante posto de fronteira entre Nepal e China.
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Um dos pontos mais afetados foi o porto de Gyirong, no Tibete. Imagens registradas no local mostram a força da correnteza avançando sobre construções e estruturas próximas ao rio. No Nepal, o distrito de Rasuwa também sofreu danos extensos, com casas destruídas, veículos arrastados e uma ponte metálica levada pelas águas.
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As causas exatas ainda estão sendo investigadas. Um terremoto de magnitude 4,4 teria ocorrido apenas alguns minutos antes do desastre, levantando a possibilidade de que o tremor tenha contribuído para desencadear os deslizamentos. Especialistas também avaliam a hipótese de um rompimento de lago glaciar, fenômeno conhecido como GLOF.
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A possibilidade chama atenção porque os Himalaias possuem numerosos lagos formados pelo derretimento de geleiras. Durante a temporada de monções, entre junho e setembro, chuvas intensas aumentam ainda mais os riscos de inundações e deslizamentos na região.
Equipes de policiais e militares foram mobilizadas para as operações de busca. O Exército nepalês informou ter resgatado 88 pessoas, enquanto os trabalhos continuam diante do elevado número de desaparecidos.

