Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, afirmou que o ex-companheiro, Ailton Rodrigues, de 50, já havia tentado provocar sua morte antes de mantê-la sequestrada em Águas Lindas de Goiás (GO).
A jovem foi localizada amordaçada e acorrentada dentro de um imóvel na sexta-feira (21), após passar cinco dias desaparecida. O suspeito foi preso em flagrante durante o resgate e permanece detido preventivamente.
Em entrevista à TV Anhanguera, Emiliane contou que, em uma ocasião anterior, o ex teria mexido nas rodas de seu carro com a intenção de provocar um acidente. “Ele soltou as rodas do meu pneu para eu capotar e morrer”, relatou.
Segundo a vítima, Ailton não aceitava o fim do relacionamento e costumava dizer que ela pertencia a ele. Emiliane afirmou ainda ter registrado mais de dez boletins de ocorrência e relatou outros episódios, como uma explosão na residência, danos em câmeras de segurança, pichações e a colocação de soda cáustica na caixa d’água.
A delegada Tamires Ávila Teixeira, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), confirmou que Emiliane já havia procurado a polícia para denunciar perseguições. Em uma das ocorrências, ela relatou ter sofrido queimaduras após entrar em contato com a água contaminada.
Amostras foram encaminhadas para análise, mas, segundo a delegada, a Justiça entendeu que não havia elementos suficientes para relacionar o episódio ao ex-companheiro e as medidas protetivas foram indeferidas.
O sequestro teria começado após Emiliane encontrar Ailton em uma distribuidora de bebidas pertencente aos dois. Conforme seu relato, o homem teria usado um pano com produto químico para deixá-la desacordada e depois a levou para um imóvel próximo de sua casa.
Lá, ela permaneceu presa e ouviu que não deixaria o local. As investigações continuam para esclarecer todos os crimes atribuídos ao suspeito e verificar se houve participação de outras pessoas. A defesa de Ailton contesta parte dos relatos.
O advogado Ilvan Barbosa afirmou que não encontrou provas que vinculem o cliente à suposta tentativa de provocar um acidente. Também disse ter identificado apenas dois registros policiais anteriores, nos quais, segundo ele, a própria comunicante teria pedido que não houvesse prosseguimento.

