A morte da capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo provocou grande repercussão e mobilizou familiares, colegas de farda e a opinião pública. O caso ganhou ainda mais destaque diante das circunstâncias investigadas pela Polícia Civil e dos relatos de pessoas próximas à vítima, que passaram a descrever um relacionamento marcado por conflitos e comportamentos considerados preocupantes.
Enquanto as investigações seguem em andamento, a família afirma esperar que todos os fatos sejam esclarecidos. Michele, de 41 anos, foi levada ao Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte, na noite de segunda, dia 20d e julho, pelo próprio marido, o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira.
No entanto, a oficial já chegou sem vida à unidade de saúde. O caso é tratado pela Polícia Civil como feminicídio, e o militar permanece preso enquanto as investigações avançam. Em entrevistas concedidas à imprensa, familiares da capitã relataram que nunca aprovaram o relacionamento do casal.
O tio de Michele afirmou que o sargento apresentava comportamento controlador, além de demonstrar ciúmes excessivos e facilidade para manipular situações. Segundo ele, o casal viveu sucessivas separações e reconciliações ao longo dos anos.
O primo da policial também relembrou um episódio em que o militar teria ido até a residência da família durante uma das separações. Conforme o relato, ele entrou na casa procurando Michele, abrindo portas e armários em busca da esposa, situação que teria causado temor entre os parentes presentes.

De acordo com o boletim de ocorrência, médicos identificaram diversas lesões no corpo da capitã, incluindo traumatismo craniano, hematomas e outros ferimentos que agora fazem parte da investigação. Imagens do circuito interno do condomínio mostram o sargento carregando Michele até o carro antes de seguir para o hospital, registros que também passaram a integrar o inquérito.
Em depoimento, Eduardo afirmou que o casal havia participado de uma confraternização, consumido bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy e mantido relações consensuais com práticas de dominação. Segundo sua versão, Michele teria caído de uma escada, recusado atendimento médico e sido encontrada sem sinais vitais horas depois.
A Polícia Civil analisa essa narrativa juntamente com as provas periciais. A defesa do sargento informou que acompanha as investigações e ressaltou que aguarda a conclusão dos laudos técnicos antes de qualquer manifestação definitiva, afirmando confiar no devido processo legal.

