A enfermeira Raquel Maria de Oliveira Negrão decidiu tornar pública a história vivida por sua família para alertar sobre os riscos do vício em apostas esportivas. Moradora de Goiânia, ela contou que descobriu, após a morte do marido, o policial militar Danilo Lopes Negrão, uma dívida de quase R$ 1 milhão acumulada por causa da compulsão por bets.
Segundo Raquel, o problema começou durante a Copa do Mundo de 2022. Para continuar apostando e tentar recuperar prejuízos, Danilo fez empréstimos com bancos, amigos e até agiotas, sem que a família soubesse da dimensão da situação.
A verdadeira extensão das dívidas só veio à tona dias depois da morte do policial, em setembro de 2023. Ao acessar o computador do marido, a enfermeira encontrou uma planilha com todos os credores. Ela afirmou que muitas pessoas emprestavam dinheiro por confiarem na reputação e honestidade de Danilo.
Raquel também revelou que o marido desenvolveu um quadro de depressão ao perceber o tamanho das dívidas. Embora tenha iniciado acompanhamento psicológico por incentivo da família, ele não dava continuidade ao tratamento e escondia dos profissionais de saúde o vício em apostas.
Desde então, a enfermeira afirma enfrentar dificuldades financeiras e emocionais. Ainda enquanto o marido estava vivo, ela passou a arcar sozinha com as despesas da casa. Após a morte, começou a receber cobranças e ameaças de credores, o que, segundo ela, impediu que conseguisse viver o luto.
Quase três anos depois, as consequências continuam. Processos judiciais relacionados às dívidas impediram a venda do imóvel da família, que permanece bloqueado. O caso ocorreu antes da regulamentação das apostas esportivas no país. Atualmente, a legislação brasileira exige que plataformas autorizadas ofereçam mecanismos de autoexclusão.
O Ministério da Fazenda também disponibiliza um sistema para bloquear o CPF em sites de apostas legais, enquanto o Ministério da Saúde orienta que pessoas com sinais de compulsão procurem atendimento especializado o quanto antes.

