O ex-presidente Jair Bolsonaro confessou que tentou violar sua tornozeleira eletrônica utilizando um ferro de solda, episódio que se tornou um dos principais elementos para a decretação de sua prisão preventiva.
A confissão foi feita durante abordagem da equipe de monitoramento que acompanha o cumprimento das medidas restritivas impostas ao ex-mandatário, as imagens deste momento viralizaram nas redes sociais.
O caso foi relatado oficialmente pela diretora-adjunta do Centro Integrado de Monitoração Eletrônica, Rita de Cássia Gaio, em ofício enviado ao Supremo Tribunal Federal, detalhando os acontecimentos da madrugada deste sábado.
A tentativa de dano ao equipamento ocorreu entre a tarde de sexta-feira e a madrugada de sábado. O sistema de monitoramento identificou a violação à 0h07, momento em que os sensores da tornozeleira indicaram uma possível avaria.
Imediatamente, a equipe de escolta posicionada nas imediações da residência de Bolsonaro foi acionada, e a diretora responsável se dirigiu pessoalmente ao local para averiguar a situação.
Durante a verificação, foram encontradas marcas de queimadura em toda a circunferência do fecho da tornozeleira, especialmente na área do encaixe, o que indicava tentativa deliberada de violação.
Ao ser questionado pela equipe, Bolsonaro afirmou de forma espontânea que havia utilizado um ferro de solda no dispositivo. Segundo suas palavras, teria feito isso “por curiosidade” e negou que tivesse conseguido romper o equipamento.
“Meti um ferro quente aí. Curiosidade”. A diretora questionou: “que ferro quente?”. O ex-presidente afirmou: “foi ferro de soldar […] Não rompi a pulseira não”.
No entanto, a diretora destacou que os danos observados eram evidentes e incompatíveis com o uso cotidiano do aparelho, descartando qualquer possibilidade de falha técnica.
A tentativa de danificar o equipamento foi registrada em vídeo e encaminhada às autoridades. A tornozeleira foi substituída no local e Bolsonaro permaneceu sob custódia.
A confissão, associada ao histórico de investigações e à convocação de uma vigília por apoiadores, foi decisiva para que o ministro Alexandre de Moraes considerasse haver risco de fuga e decretasse a prisão preventiva.
O episódio reacende o debate sobre a efetividade do monitoramento eletrônico e a responsabilidade de figuras públicas diante das leis e decisões judiciais.

