A imprudência ao volante raramente perdoa, e na madrugada deste domingo, dia 16 de agosto, essa realidade se impôs de forma dolorosa na descida da Serra de Petrópolis. Um ônibus clandestino que partiu de Belo Horizonte rumo a Copacabana tombou no Km 91 da BR-040, deixando ao menos 10 mortos, entre eles oito mulheres e uma criança, e dezenas de feridos.
O episódio reacende o alerta sobre os riscos de viagens não regularizadas e sobre o excesso de velocidade em trechos sinuosos e perigosos. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o veículo pertencia à empresa Estrela Guia Turismo e não possuía autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres para operar a rota.
O Corpo de Bombeiros atendeu 49 pessoas, e uma das vítimas resgatadas com vida acabou morrendo a caminho do hospital. Passageiros relataram que a velocidade excessiva já preocupava desde a saída de Belo Horizonte.
Uma jovem administradora mineira, ferida nas pernas e nos braços, contou que o motorista conduzia de forma acelerada desde o início do trajeto e que parte dos cintos de segurança do coletivo sequer funcionava.
Segundo ela, durante uma parada em Juiz de Fora, alguns passageiros pediram que o condutor reduzisse a velocidade, mas ele teria respondido que pretendia chegar a Copacabana ainda de madrugada.
O medo, segundo os sobreviventes, tomou conta do ônibus já na descida da serra, quando o veículo começou a balançar de forma descontrolada antes de capotar e colidir contra uma árvore.
O prefeito de Petrópolis, Hingo Hammes, classificou a resposta das equipes de emergência como uma grande operação, reunindo Samu, Corpo de Bombeiros e PRF. Feridos foram distribuídos entre hospitais de Petrópolis e da Baixada Fluminense.
O motorista, que sobreviveu com fraturas nas pernas, deve prestar depoimento à polícia. A empresa afirmou colaborar com as investigações e já disponibilizou transporte para os sobreviventes retornarem a Minas Gerais, conforme liberação médica.
O caso reforça um alerta que muitas famílias conhecem bem: nas estradas, decisões apressadas podem transformar uma viagem comum em uma perda irreparável.

