Uma abordagem policial que terminou com a morte de um pastor em circunstâncias cercadas por versões divergentes mobilizou moradores da Zona Leste de São Paulo e abriu uma série de questionamentos sobre o que realmente aconteceu.
Enquanto a Polícia Militar sustenta que o homem teria reagido à ação dos agentes, familiares e testemunhas contestam esse relato. José Carlos da Rocha Sobrinho foi baleado na noite de segunda, dia 13 de julho, na Rua Vagner Araújo, no Jardim São Francisco.
Segundo o boletim de ocorrência, policiais da Companhia de Ações Especiais de Polícia Militar (Caep) realizavam patrulhamento quando decidiram abordar o carro conduzido pelo pastor. A versão apresentada pelos agentes afirma que foi dada ordem de parada, mas o motorista teria tentado deixar o local.
Ainda conforme o registro policial, durante a aproximação da equipe, José Carlos teria sacado uma arma, levando os policiais a efetuarem os disparos. Ele foi atingido no pescoço, na nuca e na coxa direita. Ele chegou a ser socorrido mas não resistiu aos ferimentos.
Os policiais informaram ainda que uma pistola foi apreendida com a vítima e registraram que ela possuía antecedentes criminais e suposta ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A família, entretanto, rejeita completamente essa narrativa.
Parentes afirmam que José Carlos era pastor havia anos e havia acabado de deixar uma irmã na igreja antes de seguir para casa. Testemunhas também dizem que não houve troca de tiros e relatam que o veículo permaneceu parado durante vários minutos antes de os disparos serem ouvidos.
Um morador contou que a viatura já realizava abordagens na região e que José Carlos teria permanecido conversando com os policiais por cerca de 15 a 20 minutos antes dos cinco tiros serem ouvidos. Segundo esse relato, os disparos ocorreram em sequência, sem qualquer sinal de confronto armado.
A morte provocou protestos no Jardim São Francisco durante a noite. Manifestantes bloquearam a Avenida dos Sertanistas, mas o ato foi encerrado após a chegada de equipes da Polícia Militar, que dispersaram o grupo. O episódio continua cercado de dúvidas e deverá ser esclarecido ao longo das investigações oficiais.

