Novas e chocantes revelações sobre o assassinato do casal de idosos no bairro São Pedro, em Belo Horizonte, foram divulgadas pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) em entrevista coletiva nesta terça-feira, 14 de julho de 2026.
Os laudos de necropsia e as declarações dos investigadores detalham a extrema violência e a frieza com que a diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, agiu contra as vítimas.
De acordo com o laudo do exame cadavérico e a confissão da própria acusada, o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, foi brutalmente assassinado com 43 facadas, que atingiram regiões vitais como o coração, pescoço, costas, rosto e um dos olhos.
A esposa dele, a empresária aposentada Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76 anos, foi golpeada 15 vezes com a faca. Os médicos-legistas constataram ainda que a idosa apresentava diversas queimaduras graves na região do tórax, do rosto e do olho.
Segundo o delegado Gustavo Barletta, antes de recorrer à faca para tirar a vida de Maria Clotilde, a agressora tentou asfixiá-la utilizando uma almofada. Como a vítima resistiu, a diarista passou a desferir os golpes de faca e utilizou substâncias químicas para agredi-la.
Após cometer o duplo assassinato, Paola permaneceu no apartamento e tentou apagar os vestígios da violência. Os investigadores confirmaram que ela utilizou produtos químicos de forte odor, como solventes, para lavar e limpar o local do crime antes de fugir.
A reconstrução da dinâmica indica que o crime começou a se desenhar quando o advogado Cláudio Atala acordou e flagrou a diarista no momento em que ela iniciava o roubo dos pertences do casal.
Para garantir o prosseguimento do assalto e evitar ser denunciada, Paola o atacou fisicamente. Após assassinar o casal, ela vasculhou o imóvel com calma e recolheu dinheiro, joias e relógios importados.
Após deixar o prédio carregando sacolas com os pertences roubados, a suspeita seguiu em direção à região central de Belo Horizonte. Na área central, ela se desfez de itens pessoais das vítimas e de ferramentas do crime, jogando-os em uma caçamba de entulho de obras.
Na mesma tarde, ela iniciou a venda rápida e informal de parte das joias subtraídas, comercializando-as por valores muito abaixo do mercado para levantar dinheiro rápido para sua fuga.
Paola Stefany foi presa dias depois em um hotel na cidade de Itabira e, com a conclusão do inquérito policial relatado nesta terça-feira, foi formalmente indiciada por duplo latrocínio (roubo seguido de morte), crime cuja pena somada pode chegar a décadas de reclusão.

