Após uma fala improvisada em um palanque no Ceará, uma guerra interna explodiu no clã Bolsonaro, nesta última segunda-feira, no dia 1º de dezembro.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro criticou publicamente uma articulação política do partido, gerando uma reação em cadeia e ataques diretos dos filhos do ex-presidente, Flávio, Carlos, Eduardo e Renan.
As fontes do conflito são notas oficiais e postagens nas redes sociais. O estopim foi a crítica de Michelle à aproximação do PL cearense com Ciro Gomes (PSDB). Ela classificou a aliança como “insustentável”, lembrando que Ciro já chamou Jair Bolsonaro de “ladrão de galinha” e “genocida”.
Com a notícia da crítica, a resposta dos enteados foi dura e coordenada. O senador Flávio Bolsonaro chamou a fala da madrasta de “autoritária e constrangedora”, revelando que a aliança foi autorizada pelo próprio pai.
Carlos acusou Michelle de “atropelar” Jair, e Eduardo defendeu o diretório local, alegando que apenas obedeciam ordens. Diante da situação, Michelle publicou uma nota reafirmando sua posição moral, mesmo indo contra a pragmática política.
“Antes de ser uma líder política, eu sou mulher, sou mãe, sou esposa”, declarou. Ela comparou o apoio a Ciro a “trocar Joseph Stalin por Vladimir Lenin” e disse que não poderia ser conivente com uma “raposa política”.
Desde domingo (30), a tensão escalou para a maior ruptura pública do bolsonarismo desde 2018. A briga expõe uma disputa de poder e narrativa dentro da família, justamente no momento em que Jair Bolsonaro está preso em regime fechado.
No momento, o racha é visível. Enquanto Michelle tenta se firmar como bússola moral do movimento, os filhos defendem a autoridade absoluta das decisões do pai. O episódio deixa claro que, sem a figura reguladora de Bolsonaro, a unidade da direita enfrenta seu teste mais difícil e uma grande repercussão está sendo gerada na mídia.

