O Ministério Público do Piauí (MPPI) abriu um procedimento para investigar a morte de uma recém-nascida ocorrida em 3 de janeiro deste ano, logo após o parto, no Hospital Regional Justino Luz, em Picos.
A apuração foi iniciada após a mãe da bebê, uma jovem de 22 anos, denunciar suposta negligência médica durante o atendimento. Segundo o procedimento, o caso envolve possíveis falhas na assistência obstétrica prestada pela unidade.
A denúncia afirma que a médica responsável pelo parto ainda não havia concluído a residência médica na época e teria se ausentado da sala em diferentes momentos durante o procedimento. A mãe relatou que estava com 39 semanas de gestação e que a gravidez havia transcorrido sem complicações.
Após a bolsa romper, ela foi internada e o trabalho de parto evoluiu normalmente até a troca de plantão. Conforme o relato, já com dilatação completa e bastante debilitada, ela, a mãe e profissionais da equipe pediram que fosse realizada uma cesariana, mas o procedimento teria sido recusado.
Ainda segundo a denúncia, a bebê nasceu em estado grave e morreu cerca de cinco minutos após o parto. A mulher também afirma que a médica retornou apenas para realizar a sutura e não voltou a prestar atendimento.
Outro ponto questionado é a demora para a liberação hospitalar da paciente, que desejava participar do velório da filha. Conforme o relato, a alta só foi autorizada após intervenção da assistência social.
A família também aponta supostas inconsistências no prontuário médico e questiona se a médica poderia atuar como chefe de plantão, alegando que ela ainda cursava residência e não possuía registro definitivo no Conselho Regional de Medicina (CRM).
O hospital, porém, informou ao MP que a profissional tinha inscrição regular no conselho e estava habilitada para atuar, além de afirmar que a condução do parto seguiu os protocolos médicos. O MP também apura a denúncia de que o delegado responsável pelo boletim de ocorrência seria irmão da médica investigada.
A família afirma que o inquérito demorou mais de três meses para ser instaurado e pediu que outro delegado assuma o caso, além do envio da situação à Corregedoria da Polícia Civil. O CRM informou que abriu uma sindicância para apurar os fatos.

