O caso da menina Maria Clara Aguirre Lisboa, de apenas cinco anos, ganhou um capítulo de extrema crueza com a divulgação do laudo necroscópico nesta terça-feira, 28 de abril de 2026.
O documento, obtido pela TV TEM, confirma que a causa da morte foi asfixia mecânica por soterramento, revelando um detalhe perturbador: a presença de terra na traqueia da criança indica que ela ainda respirava no momento em que foi enterrada.
Além da asfixia, o exame pericial identificou um traumatismo craniano, resultado de agressões físicas sofridas antes mesmo da ocultação do corpo, o que reforça o histórico de violência doméstica ao qual a menina era submetida.
A cronologia do crime aponta que Maria Clara foi morta no final de setembro de 2025, mas seu corpo só foi localizado no dia 14 de outubro, em uma cova rasa e concretada nos fundos da casa onde vivia.
A mãe, identificada pelo nome de Luiza Aguirre Barbosa da Silva, e o padrasto, Rodrigo Ribeiro Machado, estão presos desde a descoberta e confessaram o crime à Polícia Civil.
Segundo as investigações, o casal manteve o corpo escondido por dois dias antes de decidir enterrá-lo e concretar o local, enquanto tentavam despistar familiares e autoridades sobre o paradeiro da criança.
Havia terra na traqueia da vítima, o que sugere que ela ainda respirava quando foi enterrada. O exame também identificou traumatismo craniano. O histórico de abusos era acompanhado de perto pelo Conselho Tutelar, que já monitorava a família .
Rodrigo, que possui antecedentes criminais, utilizava a criança como ferramenta de tortura psicológica contra a própria mãe, além de desferir agressões físicas frequentes contra Maria Clara.
Um áudio enviado pelo suspeito ao pai biológico da menina, cerca de duas semanas antes da localização do corpo, mostrava o descaso do agressor, que pedia para não ser mais incomodado e afirmava que o vínculo com a família havia acabado.
Agora, a expectativa se volta para o dia 19 de maio de 2026, data em que a Justiça de Itapetininga agendou a audiência de instrução do casal. Este procedimento será decisivo para determinar se os réus serão submetidos ao Júri Popular.
Ambos respondem por homicídio qualificado e ocultação de cadáver, em um processo que mobiliza a opinião pública paulista pela gravidade das evidências de tortura e pela frieza demonstrada pelos responsáveis após a execução do crime.

