A investigação sobre o feminicídio da professora Elisângela Barbosa de Almeida, em Pariquera-Açu, revelou uma trama de dissimulação que chocou os investigadores pela frieza e pelo planejamento pós-crime.
Para ocultar o corpo da esposa no quintal da residência do casal, Jacemir Bueno de Almeida sustentou a versão de que estaria atendendo a um pedido do filho de 10 anos para construir uma pequena quadra de areia no terreno.
O suspeito chegou a alegar às autoridades que o próprio menino teria ajudado na obra, uma afirmação que foi posteriormente desmentida pela Polícia Civil, que confirmou que a criança estava dormindo no momento em que a vítima foi morta e enterrada.
Isso aconteceu na madrugada de terça-feira, no dia 21 de abril de 2026. Enquanto Elisângela era considerada desaparecida, Jacemir manteve uma encenação digital meticulosa para afastar qualquer suspeita de crime passional.
Com isso, ele se apossou do celular da professora e passou a enviar mensagens para familiares e amigos, simulando que ela teria abandonado a família para viver um novo romance em Paranaguá, no Paraná.
O agressor foi ao extremo de criar um perfil falso de casal em redes sociais, utilizando fotos da vítima com legendas que falavam em “recomeço”. Porém, a situação trouxe um alerta.
No entanto, a farsa começou a ruir quando as amigas de Elisângela notaram que o estilo de escrita nas mensagens não correspondia ao dela e estranharam a recusa sistemática em enviar áudios para comprovar sua identidade.
A desconfiança da polícia foi selada por detalhes que o próprio suspeito forneceu em seu depoimento, acreditando que estaria reforçando seu álibi. Jacemir mencionou espontaneamente que um cano havia estourado durante a suposta reforma no quintal.
Isso era um dado irrelevante para um caso de desaparecimento que soou como um alerta para os investigadores. Somado a isso, o relato de um vizinho que ouviu o som de uma enxada batendo no solo por volta das 3h da manhã daquela terça-feira forneceu a localização exata para as buscas.
Com o apoio do Corpo de Bombeiros, o corpo foi localizado na sexta-feira, 24 de abril, sob a área indicada pelo suspeito como o futuro campo de futebol do filho. Após a descoberta do cadáver, Jacemir confessou o crime, alegando que Elisângela teria morrido após um tapa que a deixou desacordada e em convulsão durante uma discussão.
Sua prisão preventiva foi decretada pela Justiça sob a tipificação de feminicídio majorado, uma vez que o crime foi cometido com o filho do casal presente na residência, ainda que em pavimentos distintos.
O caso agora segue sob análise da perícia técnica nos dispositivos eletrônicos apreendidos, enquanto a comunidade de Pariquera-Açu lida com o impacto de uma tragédia.

