Após a operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro, o governador Cláudio Castro (PL) veio a público, nesta última quarta-feira, dia 29 de outubro, para defender a ação e fazer uma declaração polêmica.
Em coletiva de imprensa, Castro classificou a “Operação Contenção” como um “sucesso” e afirmou que as únicas vítimas foram os quatro policiais mortos. Na sua própria coletiva, o governador, apesar dos números alarmantes de mortos, minimizou as perdas do lado dos civis e falou mais sobre o que pensa.
“Queria me solidarizar com a família dos quatro guerreiros que deram a vida para salvar a população. De vítima ontem lá, só tivemos esses policiais”, disse Castro, gerando forte reação de ativistas de direitos humanos.
Com a notícia da fala do governador, o número de mortos na operação, que já ultrapassa a chacina do Carandiru, veio à tona e mais detalhes foram expostos.
A Defensoria Pública do Rio de Janeiro já contabiliza 132 mortes, sendo 128 civis e quatro policiais, embora o balanço oficial do governo ainda permaneça em 64 óbitos.
🚨👮♂️💯 GOVERNADOR DO RJ FALA SOBRE OPERAÇÃO CONTRA COMANDO VERMELHO
Governador Cláudio Castro afirma que não tolerará politicagem na operação contra o Comando Vermelho. "Quem quer ajudar é bem-vindo, quem quer fazer política, suma". pic.twitter.com/NGCJc4N9xv
— jonataribas (@jonataribastv) October 29, 2025
O governador também aproveitou a coletiva para alfinetar o governo federal, que teria se omitido, segundo ele. De acordo com Castro, eles não irão responder ministro nem autoridade que queira transformar a situação em uma batalha política.
Castro declarou que o recado é para somar no combate à criminalidade ou sumir. A megaoperação, que ocorreu na terça-feira (28) nos Complexos do Alemão e da Penha, visava desarticular o Comando Vermelho.
A ação deixou um rastro de destruição e luto, com quatro policiais mortos: os sargentos do Bope Cleiton Serafim, de 42 anos, e Heber Fonseca, de 39, e os policiais civis Marcus Vinícius, de 51, e Rodrigo Cabral, de 34.
No momento, o Rio de Janeiro vive um clima de luto e tensão. A declaração do governador, classificando a operação como um “sucesso”, gerou grande indignação, enquanto a ONU se disse “horrorizada” com a violência.
A cidade agora acompanha as investigações e a identificação dos corpos, em meio a um debate acalorado sobre a letalidade policial e a situação no Brasil.

