A força de um tornado pode devastar construções, arrancar árvores e alterar completamente a paisagem de uma cidade em poucos minutos. Foi o que aconteceu em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, onde ventos que chegaram a 418 km/h destruíram grande parte do município e tiraram a vida de José Gieteski, um agricultor de 83 anos.
Apesar da dor da perda e da destruição quase total da casa da família, um gesto vindo de desconhecidos trouxe um breve momento de consolo aos familiares: uma foto de um momento especial foi encontrada a cerca de 220 quilômetros de distância do local da tragédia.
A imagem, que registra o casamento do filho da vítima, estava guardada em um álbum na casa de madeira onde José vivia com a esposa. Com o impacto do tornado, a residência foi arremessada e completamente desfeita.
Segundo o filho, Antônio Gieteski, o vendaval teve duração de pouco mais de um minuto, mas foi suficiente para arrastar a estrutura por dezenas de metros e provocar a morte do pai, que foi atingido pelas madeiras no momento do colapso. A mãe de Antônio, viúva de José, também se feriu e segue em recuperação.
Surpreendentemente, dias após o ocorrido, uma família de São Mateus do Sul, município localizado no sul do estado, encontrou a foto em uma lavoura na zona rural e decidiu recorrer às redes sociais para localizar os donos.
O gesto, simples e empático, alcançou a família Gieteski, que se emocionou com a iniciativa. A imagem, apesar de exposta à chuva e vento, foi encontrada em perfeito estado, tornando-se um símbolo de memória em meio à perda.
Antônio relatou que sua família, composta por produtores rurais, agora enfrenta o desafio da reconstrução, não apenas das moradias, mas também do cotidiano abalado pela tragédia.
A lembrança recuperada, segundo ele, representa não só a resistência de um objeto contra a força do vento, mas também o cuidado de pessoas desconhecidas que, mesmo em tempos difíceis, ainda demonstram empatia e solidariedade.
O caso reforça a complexidade das consequências causadas por eventos climáticos extremos e também evidencia a importância de ações humanas simples que, mesmo diante da destruição, ajudam a resgatar fragmentos de histórias e a reconectar laços afetivos em tempos de luto e superação.

