Vanderson Luiz de Paiva Dias, de 55 anos, nunca fumou, mas desenvolveu câncer de pulmão após anos convivendo com familiares que tinham o hábito de fumar. Morador de Brasília e natural de Minas Gerais, ele conta que praticamente toda a família, com exceção da mãe, era fumante.
Segundo a oncologista Gabrielle Scattolin, da Rede Américas e integrante da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), a exposição à fumaça do cigarro pode aumentar o risco de câncer, além de provocar problemas cardiovasculares e respiratórios.
A especialista ressalta que não existe um nível considerado seguro de contato com a fumaça do tabaco. No caso de Vanderson, a descoberta do tumor ocorreu após uma longa trajetória de tratamentos contra outras doenças.
Em 2009, ele recebeu o diagnóstico de linfoma de Hodgkin depois de procurar atendimento por causa de um incômodo persistente no olho. Foram oito meses de quimioterapia, com 12 sessões, até que os médicos considerassem a doença curada.
Nove anos depois, exames de acompanhamento apontaram o retorno do linfoma e também um câncer na tireoide. Ele passou novamente por quimioterapia e foi submetido a uma cirurgia para retirar a glândula.
Durante esse período, os médicos identificaram uma pequena alteração no pulmão direito. Como a lesão era pequena, a recomendação inicial foi apenas acompanhar a evolução. Cerca de cinco anos atrás, porém, o nódulo aumentou de tamanho. Uma nova biópsia confirmou o carcinoma pulmonar.
Vanderson enfrentou mais uma cirurgia, desta vez com auxílio de tecnologia robótica, que retirou quase metade do pulmão direito. A recuperação foi considerada positiva e, atualmente, não há sinais de novas manifestações da doença.
Depois da experiência, ele passou a alertar outras pessoas sobre os riscos do tabagismo passivo. O relato também fez com que familiares e amigos abandonassem o cigarro. “Fui um fumante passivo. Esse é um dos muitos outros males que o cigarro traz. Ele não só prejudica quem está fumando, ele prejudica quem está em volta também”, afirmou.

