A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro utilizou suas plataformas digitais para manifestar apoio e celebrar o lançamento da nova Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos (PNEBS), iniciativa desenvolvida e apresentada formalmente pelo Ministério da Educação (MEC) sob a gestão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em seu pronunciamento, Michelle absteve-se de fazer menções diretas à administração federal ou à figura do atual mandatário, concentrando seu posicionamento no mérito técnico e social da medida, a qual classificou como a realização de um sonho e uma conquista histórica.
A ex-primeira-dama ressaltou que a autonomia conferida à educação bilíngue, agora estabelecida como uma modalidade de ensino separada da Educação Especial tradicional, representa um avanço estrutural para estudantes surdos, surdocegos, deficientes auditivos sinalizantes e aqueles com altas habilidades ou deficiências associadas.
O aceno público gerou imediata repercussão nas redes sociais, com internautas e analistas ironizando a convergência temática e especulando, em tom de sátira, sobre aproximações políticas entre espectros ideologicamente opostos.
A manifestação ocorre em um momento de sensibilidade institucional para o Partido Liberal (PL). O episódio sucedeu em poucos dias o afastamento de Michelle do comando da ala PL Mulher, decisão inserida em um contexto de acirramento de tensões internas e divergências estratégicas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, e críticas públicas do vereador Carlos Bolsonaro a movimentos de bastidores.
Apesar do tensionamento partidário, o envolvimento de Michelle com a pauta inclusiva precede o cenário eleitoral contemporâneo, estando vinculado ao seu histórico como intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras) e ao emblemático discurso sinalizado durante a posse presidencial de 2019.
Por sua vez, a PNEBS, estruturada pelo MEC, visa responder a demandas históricas de inclusão linguística, focando na ampliação do acesso, permanência e desempenho escolar. Indicadores diagnósticos divulgados pela pasta evidenciam os severos desafios.
Acontece que apenas 12% das redes públicas de ensino dispõem de material pedagógico adequado em Libras, avaliações em formato VídeoLibras cobrem somente 1,31% do alunado e, embora metade das instituições possua Salas de Recursos Multifuncionais, persiste um deficit crônico de suporte especializado bilíngue nas unidades escolares.

