A grande repercussão em torno de Eduardo Bolsonaro volta a ganhar um novo capítulo, desta vez envolvendo um imóvel que pertenceu ao ex-deputado federal. Um apartamento localizado em uma área valorizada da Zona Sul do Rio de Janeiro será colocado em leilão pela Caixa Econômica Federal após o banco retomar a propriedade por causa da inadimplência do financiamento.
O caso chama atenção não apenas pelo valor do imóvel, mas também pelo desconto oferecido no lance inicial. Localizado na Avenida Pasteur, em Botafogo, o apartamento possui aproximadamente 101 metros quadrados e fica no terceiro andar de um prédio de frente para a Baía de Guanabara.
A Caixa avaliou a unidade em R$ 1,011 milhão, mas estabeleceu lance mínimo de R$ 644,3 mil para a licitação aberta marcada para 20 de agosto. A disputa será realizada pela internet e ficará com o participante que apresentar a maior proposta acima do valor mínimo.

Documentos públicos analisados na apuração mostram que Eduardo Bolsonaro financiou R$ 780 mil para adquirir o imóvel em outubro de 2017. O contrato tinha prazo de 420 meses e seguia o sistema de amortização constante. Depois que as parcelas deixaram de ser pagas, a Caixa iniciou os procedimentos previstos para cobrar a dívida e recuperar o imóvel.
A propriedade acabou sendo transferida oficialmente para o banco em 30 de março de 2026. Antes disso, foram realizadas tentativas de comunicação com o então proprietário. Como não houve regularização do débito, a instituição prosseguiu com o processo e posteriormente incluiu o apartamento entre os imóveis disponíveis para licitação.
O imóvel já havia chamado atenção anteriormente por causa da forma como parte de sua aquisição foi paga. Conforme registrado na escritura, Eduardo deu R$ 81 mil como sinal, desembolsou outros R$ 100 mil em espécie na assinatura e se comprometeu a pagar mais R$ 18,9 mil posteriormente. O saldo restante foi financiado pela Caixa.
A matrícula do imóvel de Botafogo ainda registra uma ordem de indisponibilidade de bens determinada pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, em julho de 2025. O documento, porém, não detalha os fundamentos da decisão. Apesar da averbação, o procedimento relacionado ao financiamento continuou até a transferência da propriedade para a Caixa.

