Até mesmo em meio a um universo dominado por homens, algumas mulheres têm assumido posições de destaque dentro do crime organizado. É o caso de Penélope, conhecida como “Japinha do CV”, que se tornou uma das figuras femininas mais influentes do Comando Vermelho (CV).
Sua história revela como o poder e o perigo caminham lado a lado nas comunidades controladas pelo tráfico no Rio de Janeiro e como a busca por status dentro da facção acabou levando-a a um desfecho trágico.
Durante a megaoperação Contenção, considerada a mais letal da história do estado, a “Japinha do CV” foi morta em confronto com as forças de segurança no Complexo do Alemão.
Segundo as investigações, ela usava roupa camuflada e colete tático, com compartimentos para carregadores de fuzil, indício de que participava ativamente dos combates. Testemunhas afirmam que Penélope resistiu à abordagem e chegou a trocar tiros com os policiais antes de ser atingida por um disparo fatal de fuzil.
Nas redes sociais, a “musa do crime” costumava ostentar armas e compartilhar fotos com poses provocantes, tornando-se uma figura popular entre simpatizantes da facção.
Porém, por trás da imagem glamorizada, havia uma mulher profundamente envolvida nas estratégias da organização, responsável por proteger rotas de fuga e pontos de venda de drogas.
O corpo de Penélope foi encontrado próximo a um dos acessos da comunidade, horas após o tiroteio. Sua morte aconteceu em meio a uma operação que mobilizou 2,5 mil agentes e deixou mais de 60 mortos, incluindo quatro policiais.
Enquanto o governo do Rio defende a ofensiva como “necessária” para conter o avanço do CV, o episódio reacende o debate sobre a presença feminina nas estruturas do crime e o impacto dessas operações na vida das comunidades. O caso da “Japinha do CV” mostra que, no submundo do tráfico, o poder pode ter rosto, charme e também um alto custo.

