Em um momento marcado por intensa repercussão política e judicial, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, manifestou publicamente sua insatisfação com as condições impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro no cumprimento de sua pena.
Nesta quarta-feira, 25 de novembro, Tarcísio questionou a necessidade do uso de tornozeleira eletrônica por parte do ex-mandatário, atualmente preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, e atribuiu a tentativa de violar o equipamento a um quadro de instabilidade emocional.
Segundo o governador, Bolsonaro estaria passando por um estado de saúde fragilizado, com sintomas como soluços persistentes e distúrbios no sono, agravados por interações medicamentosas.
Para ele, esse cenário teria contribuído para uma “oscilação de consciência”, durante a qual o ex-presidente tentou interferir na tornozeleira.
“Toma remédios, aí você tem interação medicamentosa. É uma pessoa que acaba tendo essas oscilações de consciência. Foi um momento de oscilação, um momento de uma pessoa que está fora de si, que está passando por um momento extremo estresse, de extrema provação e acabou mexendo na tornozeleira. Não tinha necessidade nenhuma”, afirmou Tarcísio.
A violação do equipamento foi citada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, como uma das razões para converter a prisão preventiva em cumprimento definitivo da pena.
Tarcísio também classificou como desnecessária a imposição da tornozeleira, alegando que o ex-presidente já é acompanhado de forma contínua por escoltas policiais. Em sua visão, a manutenção de Bolsonaro em prisão domiciliar seria mais adequada, não apenas pela idade avançada.
Bolsonaro tem 70 anos —, mas também pelo que chamou de “questão humanitária”, defendendo que o respeito aos ex-presidentes deve ser preservado mesmo em situações de condenação.
Durante o mesmo pronunciamento, feito no Palácio dos Bandeirantes, o governador reiterou sua posição a favor da anistia ao ex-presidente. Para ele, há um excesso na forma como os desdobramentos judiciais têm sido conduzidos, especialmente diante da condição física e mental do ex-chefe do Executivo.
A fala de Tarcísio acontece em um contexto em que o clima político permanece polarizado, com setores expressivos da sociedade e da classe política discutindo os limites da atuação institucional frente às decisões do Judiciário.
As declarações reforçam o vínculo entre o governador e seu padrinho político e ilustram o esforço de aliados para manter Bolsonaro no centro do debate público, mesmo após o início do cumprimento da pena imposta pelo STF.

