A hipertricose, ou “Síndrome de Lobisomem”, chama a atenção por seus efeitos incomuns, como o crescimento excessivo de pelos no corpo e no rosto. Essa condição rara tem despertado preocupação após autoridades europeias identificarem um aumento no número de casos em bebês, associando a condição ao uso do medicamento minoxidil, amplamente utilizado no tratamento da calvície.
A relação entre o contato indireto com a substância e o desenvolvimento da síndrome em crianças tem gerado debates e ações de prevenção. Desde 2023, pelo menos 11 casos de hipertricose em bebês foram registrados em países da Europa.
Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu no norte da Espanha, onde um bebê começou a desenvolver pelos nas costas e pernas após exposição indireta ao minoxidil, utilizado pelo pai para tratar queda de cabelo.
Com a interrupção do uso do medicamento, o crescimento anormal de pelos cessou. Casos similares, também associados ao contato indireto com o produto, foram identificados em outros países europeus, indicando um padrão preocupante.
Especialistas apontam que o contato das crianças com o minoxidil pode ocorrer de várias formas, como através da pele, boca ou cabeça ao interagir com os pais. Apesar da reversibilidade da síndrome nesses casos, a substância apresenta outros riscos graves para bebês, como potenciais danos aos rins e ao coração, reforçando a necessidade de cuidado extremo no uso do medicamento em ambientes onde convivem crianças.
Diante dessas descobertas, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) determinou, a partir de outubro de 2024, a inclusão obrigatória de advertências nas bulas do minoxidil sobre o risco de hipertricose.
“Consulte um médico se notar um crescimento excessivo de pelos no corpo do seu filho durante o período em que estiver utilizando medicamentos tópicos de minoxidil”, diz o novo texto.
A medida reflete a importância de informar usuários sobre possíveis consequências e evitar a exposição inadvertida de crianças. Essa precaução ressalta a relevância de um uso responsável de medicamentos, especialmente em contextos familiares, para prevenir riscos à saúde infantil.

