A morte do influenciador Henrique Maderite provocou enorme repercussão nas redes sociais e reacendeu discussões sobre sinais físicos que podem indicar riscos à saúde do coração. Entre os temas que ganharam destaque está o chamado “sinal de Frank”, uma pequena prega diagonal no lóbulo da orelha que há décadas desperta o interesse da comunidade médica.
Descrito pela primeira vez em 1973 por um médico americano, o sinal consiste em uma fissura que atravessa o lóbulo em direção diagonal. Estudos ao longo dos anos observaram uma possível associação entre essa marca e a presença de doença coronariana, condição caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura nas artérias que irrigam o coração.
Especialistas reforçam, no entanto, que a presença da dobra não representa um diagnóstico. Trata-se de um indício clínico que pode funcionar como alerta para investigação mais detalhada.
O cardiologista Eduardo Lima explica que a intensidade da prega varia e pode até ser classificada em graus, sendo mais evidente quando o lóbulo parece quase dividido. A explicação mais aceita envolve a aterosclerose, processo inflamatório e degenerativo que compromete vasos sanguíneos em diferentes partes do corpo.
Pesquisas apontam que alterações microscópicas encontradas na região da orelha com a prega se assemelham às observadas em artérias afetadas. Ainda assim, a relação não é considerada absoluta.
O sinal parece ter maior relevância em pessoas com menos de 60 anos. Isso porque o envelhecimento natural pode causar perda de colágeno e alterações na pele, o que reduz a precisão do achado em idosos.
Além disso, fatores culturais, como o uso frequente de brincos, podem gerar marcas semelhantes. Outras alterações, como a prega anterotragal, localizada próxima ao tragus, também vêm sendo estudadas.
Pesquisas brasileiras indicam que a presença combinada dessas marcas pode aumentar a probabilidade de doença coronariana. Mesmo com controvérsias, médicos defendem que o principal valor do sinal está na conscientização.
Ao notar a dobra, especialmente se houver fatores como colesterol alto, diabetes, tabagismo ou histórico familiar, a recomendação é procurar avaliação médica. Mais do que um diagnóstico, o “sinal de Frank” pode ser um convite à prevenção e ao cuidado contínuo com a saúde cardiovascular.

