Aos 54 anos, Regininha Poltergeist encara uma realidade bem diferente dos dias em que estampava capas de revistas e agitava o cenário cultural dos anos 1990. Ícone de sensualidade naquela década, a ex-modelo e atriz hoje se reinventa para garantir o sustento.
Formada em balé clássico pelo Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Regina Soares, como foi batizada, nasceu e cresceu no bairro do Méier, na Zona Norte da capital fluminense. Ainda jovem, começou a desfilar e participar de concursos de beleza, abrindo caminho para os holofotes.
Sua trajetória ganhou notoriedade após integrar um espetáculo criado por Fausto Fawcett, no qual interpretava a personagem Santa Clara Poltergeist, uma figura mística que “curava” por meio da sexualidade. O papel não apenas atraiu os olhares do público, como lhe rendeu o nome artístico que a acompanha até hoje.
No auge da fama, Regininha estampou a revista Playboy, um dos marcos de sua carreira. Embora não revele quanto recebeu pelo ensaio, afirma que o cachê “foi um dinheiro que muda vidas”. A exposição alavancou sua popularidade, consolidando seu status de símbolo sexual.
A vida começou a tomar outro rumo nos anos 2000, com a chegada do filho. Foi então que Regininha decidiu se afastar dos palcos e das câmeras para se dedicar integralmente à maternidade. Durante esse período, viveu do patrimônio acumulado ao longo dos anos de sucesso.
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“Eu tinha carros, cinco apartamentos, dinheiro que ganhava com meus ensaios e shows, mas usei tudo isso para criar meu filho. As coisas são caras e eu nunca tive ajuda do pai dele, sempre cuidei de tudo sozinha. Fazia mercado, levava para escola… Hoje ele está com 20 anos. Uma hora o dinheiro acaba, e foi o que aconteceu”, relatou, com tristeza.
A virada mais dura ocorreu durante a pandemia, em 2021. Sem renda e sem apoio, Regininha acabou despejada e chegou a passar alguns dias morando em um posto de gasolina. Ela afirma ter sido vítima de uma “armação” que a impediu de acessar uma casa que possui no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste do Rio.
Com a ajuda de uma vaquinha organizada por seguidores, conseguiu se reerguer minimamente e passou a viver em uma quitinete alugada. Para sobreviver, se desdobra em diferentes atividades: faz massagens, vende empadas e quentinhas, atua como personal organizer e, mais recentemente, abriu um brechó no quintal de casa.
Desde 2008, Regina frequenta a igreja Bola de Neve e se identifica com a fé evangélica. Ainda assim, lida com um conflito interno. De um lado, a fé pede o arrependimento por seu passado como ícone sensual; de outro, ela vê essa trajetória como parte essencial de sua identidade.
“Então… a pastora diz que eu tenho que me arrepender, mas eu não me arrependo porque eu tenho uma visão diferente. Acho que faz parte da minha história”.
Essa dualidade tem sido um ponto de reflexão para Regininha.. Um dos seus maiores desejos seria participar do reality A Fazenda, da Record. Segundo ela, possui perfil para o programa.

