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Policiais contam o que coronel fez quando visitou o trabalho da PM Gisele

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As testemunhas disseram o que viram, em um certo momento, quando o policial decidiu visitar o local de trabalho de Gisele. Mais detalhes.

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As investigações sobre o feminicídio da soldado Gisele Alves Santana ganharam contornos ainda mais graves nesta quinta-feira, 26 de março de 2026, com a revelação de episódios anteriores de violência cometidos pelo tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto.

Depoimentos de policiais militares e do ex-marido da vítima, obtidos pela Polícia Civil, indicam que o comportamento agressivo do oficial não se restringia à intimidade do lar, tendo ocorrido, inclusive, dentro da sede do Comando-Geral da Polícia Militar.

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De acordo com os relatos, o coronel costumava ir ao local de trabalho de Gisele para confrontá-la, chegando a pressioná-la contra a parede e, em uma ocasião mais severa, apertar o pescoço da soldado em um corredor próximo à reserva de armas do quartel.

A agressão dentro do quartel-general não foi apenas testemunhada por colegas, mas também registrada por duas câmeras de segurança, o que torna as evidências contra o oficial ainda mais robustas.

Na época, ao ser questionada por companheiros de farda sobre a conduta do marido, Gisele teria minimizado o ocorrido, atribuindo a violência ao “excesso de ciúmes” e ao “amor” que ele sentia por ela.

Esse padrão de comportamento foi reforçado por outro episódio em que o coronel se irritou profundamente durante um café, após uma sargento elogiar a beleza de Gisele, demonstrando uma necessidade de controle e uma reatividade desproporcional.

A morte de Gisele, ocorrida em 18 de fevereiro após um disparo de arma de fogo no apartamento do casal no Brás, foi inicialmente tratada como suicídio, versão defendida pelo tenente-coronel até hoje.

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No entanto, a Polícia Civil e a Polícia Científica trabalharam com uma “dúvida razoável” que, após a reconstituição dos fatos e a análise das mensagens recuperadas no celular da vítima, transformou-se em uma acusação formal de homicídio.

Os peritos concluíram que a dinâmica do disparo e as marcas de esganadura encontradas no corpo da soldado são incompatíveis com o ato de tirar a própria vida, apontando Geraldo Neto como o executor.

O tenente-coronel foi preso preventivamente no último dia 18 de março, em um condomínio em São José dos Campos, e segue detido no Presídio Militar Romão Gomes.

Enquanto a defesa do oficial classifica os novos depoimentos sobre as agressões anteriores como “alegações sem verossimilhança”, o conjunto probatório acumulado pelas autoridades desenha um histórico de abuso que culminou na tragédia.

A prisão preventiva foi mantida pela Justiça Militar, e o caso agora avança para a fase de instrução, onde as imagens das câmeras do Comando-Geral devem ser peças-chave para demonstrar o histórico de periculosidade do réu.

“Ele tem muito ciúmes, gosta muito de mim e fica assim”, foi dito no relato de Gisele aos colegas após ser agredida no quartel, evidenciando o ciclo de silenciamento comum em vítimas de violência doméstica.

Sobre o Autor

Juliana Gomes

Colunista de notícias dedicada a escrever sobre os mais diversos assuntos. Sempre fui apaixonada pela arte da escrita e pela literatura.