Mensagens trocadas entre o cabo da Polícia Militar de Pernambuco José Maria Alexandre da Silva Junior, de 40 anos, e sua ex-companheira, Helen Kelly de Lima Pedrosa, revelam um histórico de ameaças, ciúmes e tentativas de controle meses antes da morte do policial.
José Maria morreu dentro do apartamento da ex-mulher, em Boa Viagem, na zona sul do Recife. Os diálogos, obtidos pela coluna de Mirelle Pinheiro, mostram o tom adotado pelo militar durante o relacionamento. Em uma das mensagens, ele faz ameaças veladas à ex-companheira.
“Eu sei que você anda só. Coisa boa pode não acontecer. Deixa as coisas acontecerem. O que você vai perder eu não sei. Mas você vai perder. Você já está avisada. Tire as medidas na moral. Encontro você no inferno, mas encontro”, escreveu.
Em outra conversa, José Maria demonstra ciúmes ao acreditar que Helen estaria falando com outro homem. Segundo o advogado de Helen, Yuri Bold, o relacionamento era marcado por comportamentos possessivos e tentativas constantes de vigilância.
Ele relatou que o policial buscava acesso ao celular da companheira e se incomodava com qualquer contato dela com outros homens. A defesa informou no fim do mês de fevereiro, após um episódio de agressão física, Helen conseguiu uma medida protetiva.
No depoimento prestado à polícia, Helen relatou que os episódios de ciúmes excessivos culminaram na decisão de procurar proteção judicial. Após a concessão da medida, o casal se afastou temporariamente.
No entanto, de acordo com a mulher, o militar passou a insistir em uma reaproximação, recorrendo a amigos e familiares para retomar o contato. Segundo o advogado, o PM pressionava pela retirada da protetiva e fazia promessas de casamento.
“Houve compra de alianças, promessa de casamento e ele cobrava que a medida fosse retirada para que os dois pudessem ficar juntos oficialmente”, afirmou Yuri Bold. Os dois se afastaram definitivamente em junho, pouco antes da morte.

