A morte do lutador brasileiro Allan “Puro Osso” Nascimento, aos 34 anos, provocou comoção no universo do MMA e reacendeu o debate sobre a saúde cardíaca de atletas de alto rendimento.
Conforme as primeiras informações, o esportista teria sofrido um possível infarto enquanto dormia, embora a causa da morte ainda dependa da conclusão dos exames. O caso reforça um alerta importante: boa forma física e rotina intensa de treinamentos não eliminam completamente o risco de doenças cardiovasculares.
Com passagem consolidada pelo MMA, Allan disputou 29 combates ao longo da carreira e conquistou 22 vitórias, além de ter atuado recentemente. Apesar disso, especialistas ressaltam que ainda é cedo para relacionar o óbito diretamente à atividade esportiva, já que a investigação médica segue em andamento.
Segundo o cardiologista Daniel Petlik, episódios de morte súbita entre pessoas jovens mostram que algumas doenças do coração podem permanecer sem sintomas por anos, inclusive em atletas.
“O bom condicionamento físico não impede que uma pessoa tenha uma alteração cardiovascular silenciosa. Em muitos casos, esses problemas não se manifestam durante os treinamentos ou competições“, explicou o especialista.
O médico destaca que a prevenção depende de uma avaliação clínica completa, que vai além do desempenho esportivo. Entre os pontos que devem ser analisados estão o histórico familiar, possíveis sintomas, níveis de pressão arterial, alterações no ritmo cardíaco e outros fatores individuais que podem indicar riscos ocultos.
Para o cardiologista Carlo Bonasso Filho, médico do Instituto do Coração (InCor) da Faculdade de Medicina da USP e do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, os antecedentes familiares são um dos principais pontos a serem considerados durante a avaliação cardiovascular.
De acordo com o especialista, casos de morte súbita entre parentes jovens, doenças cardíacas diagnosticadas precocemente ou episódios de desmaio sem explicação aparente merecem atenção especial.
Segundo ele, essas informações podem indicar a necessidade de exames mais aprofundados, mesmo quando a pessoa não apresenta sintomas e acredita estar em boas condições de saúde. O médico ressalta, porém, que isso não significa que todos os atletas devam ser submetidos a uma extensa bateria de exames preventivos.

