A morte do adolescente Bryan de Souza Camargo, vítima de complicações do vírus h1n1, tem sido alvo de queixas e denúncias feitas pela família. Segundo as denúncias, Bryan foi vítima de negligência médica.
De acordo com o histórico médico do menino, a família levou Bryan ao hospital no dia seguinte ao começo dos sintomas. Durante a consulta, o menino se queixou de dores e ouviu do médico que os sintomas eram causados por tempo excessivo no computador.
Bryan começou a ter sintomas no domingo, dia 30 de março, se queixando de dores no peito e tosse. Inicialmente, a família não se alarmou por imaginar que era alguma reação alérgica.
Na segunda-feira, mesmo ainda se sentindo mal, o menino foi para a escola. No entanto, como os sintomas permaneceram, a família decidiu procurar atendimento médico para investigar a causa.
Eliseu Gomes de Souza Camargo, pai do menino, contou que a família procurou atendimento no Hospital Amhemed Sorocaba. A família questiona a falta de exames e o diagnóstico vago.
“Ele estava com uma íngua no ombro e falou o que estava sentindo. A pediatra avaliou garganta, ouvido, batimentos e disse que estava tudo normal, o peito não estava carregado. Ela disse que eram apenas dores musculares por ele ficar muito tempo no computador”, relembrou Eliseu.
O pai conta que questionou a médica, afirmando que o menino não tinha computador, mas ela reforçou o diagnóstico afirmando que seria por uso de celular e que receitaria um anti-inflamatório. “Não pediu nenhum tipo de exame, nem hemograma ou raio-x”, disse Eliseu.
Bryan voltou para casa na segunda-feira, ainda se queixando de dor. Na terça, a familia optou por não manda-lo para a escola. Na quarta, se queixando ainda mais de dores, a família retornou ao hospital e o médico em plantão pediu um raio-x, afirmando que estava tudo normal.
Ainda na quarta, em casa, o menino chorou de dor e vomitou sangue, quando a família voltou ao hospital. Dessa vez, pela primeira vez, os médicos pediram um hemograma. O exame confirmou o diagnóstico de influenza A e Bryan foi encaminhado à UTI, onde foi isolado e entubado, mas não resistiu.
Na quinta, Bryan sofreu duas paradas cardíacas e os médicos confirmaram que o pulmão do menino estava parcialmente tomado pela infecção. No sábado, o pulmão sofreu um colapso e Bryan sofreu mais quatro paradas cardíacas. Na segunda, uma semana após o primeiro atendimento médico, o menino morreu.
Para a família, o desfecho poderia ter sido outro se o atendimento inicial tivesse sido adequado. “Meu filho estaria aqui comigo”, lamentou Eliseu ao falar sobre o sentimento de impotência.

