Insetos peçonhentos representam uma ameaça silenciosa e muitas vezes subestimada, principalmente em ambientes domésticos. Em casos de picadas, o tempo de resposta é determinante: o atendimento rápido e adequado pode evitar complicações graves, sobretudo em crianças, que são mais sensíveis aos efeitos do veneno.
A ausência de estrutura e de recursos específicos, como o soro antiescorpiônico, pode agravar ainda mais situações que exigem ação imediata. A história do pequeno Bernardo de Lima Mendes, de apenas 3 anos, em Conchal, acende um alerta importante sobre essa realidade.
O menino foi picado por um escorpião enquanto brincava em casa e rapidamente apresentou sintomas intensos, como dores fortes, vômitos e salivação excessiva. O pai, Paulo Mendes, relata que o filho demonstrava sofrimento evidente ainda na unidade de saúde.
Segundo o relato, o atendimento inicial no Hospital e Maternidade Madre Vannini demorou a reconhecer a gravidade do caso. A criança permaneceu por um período na espera, mesmo com sinais claros de agravamento. O hospital não contava com o soro específico para esse tipo de envenenamento, o que exigiu a transferência para outra unidade.
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Durante esse tempo, os sintomas evoluíram rapidamente. Bernardo chegou a vomitar diversas vezes em poucos minutos e apresentou reações intensas ao veneno. Apenas após a piora do quadro, ele foi encaminhado para atendimento mais avançado.
A transferência, feita pelo serviço de emergência, também levou um tempo considerável, segundo o pai. O menino foi levado à Santa Casa de Araras, referência regional para aplicação do soro antiescorpiônico. Lá, recebeu o tratamento necessário, mas já em estado crítico. Apesar dos esforços da equipe médica, ele não resistiu.
Em nota, a Prefeitura de Conchal informou que o município não é responsável por armazenar soros antivenenos, seguindo diretrizes estaduais que concentram esses recursos em centros específicos.
Já o hospital afirmou que adotou os procedimentos possíveis dentro de sua estrutura, destacando limitações como a ausência de UTI pediátrica. O caso reforça a necessidade de atenção redobrada em casa, além de investimentos em estrutura de saúde e agilidade no atendimento.

