A dor de uma mãe que perde um filho de forma violenta é profunda, silenciosa e impossível de medir. Não se trata apenas da ausência física, mas do rompimento abrupto de planos, rotinas e sonhos que giravam em torno daquela criança.
Em Manaus, esse sofrimento ganhou contornos ainda mais difíceis ao ocorrer dentro de um contexto familiar marcado por abandono, conflitos mal resolvidos e uma cobrança que deveria ser apenas um direito básico.
Fernando Batista de Melo, de 48 anos, tirou a vida do próprio filho, um menino de apenas 3 anos. Segundo as investigações, o crime aconteceu na noite de quinta, dia 22 de janeiro, em uma kitnet na Zona Norte da capital amazonense.
Vizinhos relataram ter ouvido gritos vindos do imóvel e acionaram a polícia. Quando os agentes entraram no local, encontraram a criança já sem vida. De acordo com o delegado Adanor Porto, Fernando não aceitava o fim do relacionamento com a mãe da criança, encerrado no Natal de 2025.
Desde então, ele teria deixado a casa, abandonando a ex-companheira sozinha com dois filhos, um bebê de 10 meses e o menino de 3 anos, sem oferecer qualquer apoio financeiro. Na tarde do dia do crime, após conversa com o pai, Manuel, que tentou convencê-lo a assumir suas responsabilidades, Fernando procurou a ex-mulher.
Durante a discussão, ela afirmou que não queria bens, apenas o pagamento da pensão. Disse ainda que buscaria a Justiça caso a obrigação não fosse cumprida. A declaração teria provocado forte reação no suspeito, que ameaçou a mulher com uma faca. O momento foi registrado em vídeo, no qual ela aparece protegendo o bebê. Veja momento:
https://www.instagram.com/reel/DT25gavjbLN/
Horas depois, Manuel levou o neto para passar o dia em sua casa. No início da noite, Fernando chegou ao local e levou a criança ao banheiro, dizendo que daria banho. Após cerca de 30 minutos, o avô estranhou a demora. Ao conseguir entrar no cômodo, encontrou o menino sem vida, com sinais de violência.
Após o ocorrido, Fernando fugiu. As forças de segurança iniciaram buscas intensas, inclusive com apoio aéreo. Até a manhã de sexta, dia 23 de janeiro, ele permanecia foragido. O caso é investigado pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS).

