Uma decisão da Igreja pode causar polêmica quando envolve um religioso conhecido pela comunidade e uma mudança considerada incompatível com as orientações da própria instituição.
Em Jundiaí, no interior de São Paulo, a Diocese anunciou a excomunhão do padre Rodrigo de Oliveira da Silva após sua adesão à Fraternidade Sacerdotal São Pio 10, organização de perfil ultratradicionalista ligada a posições contrárias a mudanças promovidas pela Igreja Católica.
A decisão foi comunicada pelo bispo Dom Arnaldo Carvalheiro Neto na sexta, dia 6 de agosto. O padre, porém, já havia deixado a Diocese de Jundiaí antes do anúncio oficial. Em fevereiro, Rodrigo havia solicitado seu afastamento e, posteriormente, passou a organizar uma campanha de arrecadação para criar um novo espaço religioso em Campo Limpo Paulista.
A vaquinha realizada pela internet ultrapassou R$ 70 mil em contribuições. Após seu desligamento da diocese, o local passou a ser coordenado pelo religioso. Em comunicado pastoral, o bispo afirmou que a entrada do padre na Fraternidade Sacerdotal São Pio 10 colocou o religioso em uma condição descrita pela Diocese como “situação de cisma e de excomunhão”.
A partir disso, a instituição considera irregulares os atos realizados por Rodrigo no exercício do ministério. A orientação também envolve celebrações religiosas específicas. Conforme a Diocese de Jundiaí, absolvições concedidas pelo padre no sacramento da Penitência e casamentos realizados por ele são considerados inválidos e nulos pela instituição.
Diante do novo cenário, a Diocese orientou os fiéis a não participarem das atividades realizadas no espaço criado pelo religioso. Segundo o comunicado, as celebrações promovidas no local não estão em comunhão com o papa nem com o bispo responsável pela Diocese de Jundiaí.
A Fraternidade Sacerdotal São Pio 10 foi fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, na Suíça. O grupo ganhou destaque por sua oposição a determinadas mudanças associadas ao Concílio Vaticano 2º, realizado entre 1962 e 1965.
Entre suas características está a valorização da chamada missa tradicional em latim e a resistência a algumas reformas adotadas pela Igreja Católica após o concílio.
A relação da fraternidade com a Santa Sé permanece marcada por divergências. Em 1988, Lefebvre ordenou quatro bispos sem autorização papal, episódio que aprofundou o conflito entre o movimento e a liderança da Igreja.

