Lanna Holder, uma pastora recifense de 49 anos, teve uma trajetória de vida marcada por transformações profundas, tanto em sua identidade quanto em sua relação com a fé. Por sete anos, Lanna foi missionária da Assembleia de Deus, pregando o controverso conceito de “cura gay”.
Contudo, sua história deu uma guinada radical: atualmente, ela é casada há 14 anos com Rosania Rocha, com quem fundou a Cidade de Refúgio, uma igreja evangélica inclusiva voltada para a comunidade LGBTQIA+.

Desde a infância, Lanna sentia-se diferente das outras meninas. Criada pela avó até os 10 anos, não enfrentava preconceitos religiosos, mas sofria discriminação social por seu comportamento e preferências.
A relação com a religião começou por influência de sua mãe, que se tornou evangélica quando Lanna tinha 21 anos. Na busca por respostas para conflitos internos, especialmente relacionados à sua sexualidade, ela também aderiu ao evangelismo, chegando a se casar com um homem na tentativa de “curar-se”.
Durante esse período, tornou-se uma figura de destaque na Assembleia de Deus, testemunhando sobre a “cura” da homossexualidade. No entanto, essa narrativa começou a ruir. Em uma missão nos Estados Unidos, Lanna conheceu Rosania Rocha, cantora gospel e também pastora.
O relacionamento entre as duas começou em 2006 e, com o tempo, decidiram enfrentar o preconceito e assumir sua união. Juntas, fundaram a Cidade de Refúgio, que se propõe a acolher pessoas LGBTQIA+ sem julgamento, promovendo uma visão de fé mais inclusiva e respeitosa.

Hoje, Lanna lamenta as mensagens que pregou no passado, reconhecendo que a “cura gay” era uma ilusão. Ela afirma ter pedido perdão diversas vezes por disseminar essa ideia.
Sua jornada reflete não apenas a luta pessoal por aceitação, mas também o compromisso em oferecer um espaço onde outros possam encontrar acolhimento, espiritualidade e respeito. A história de Lanna e Rosania é um exemplo de como o amor e a fé podem superar barreiras impostas por dogmas e preconceitos.

