O desespero tomou conta de centenas de moradores na Zona Norte do Rio de Janeiro durante a megaoperação policial que transformou os complexos da Penha e do Alemão em um verdadeiro campo de guerra.
Em meio ao intenso tiroteio entre policiais e criminosos do Comando Vermelho (CV), famílias inteiras se viram obrigadas a correr por trilhas e vielas em busca de abrigo, tentando escapar de uma troca de tiros que parecia não ter fim.
Vídeos divulgados nas redes sociais mostram mulheres e jovens descendo o morro em fila indiana, carregando bolsas, crianças e o medo estampado no rosto. As imagens, registradas na terça, dia 28 de outubro, revelam momentos de pura tensão.
Em uma das gravações, um grupo de mulheres percorre a mata que liga a Vila Cruzeiro ao Complexo do Alemão, entoando gritos de resistência enquanto helicópteros sobrevoavam a área.
Segundo as autoridades, o material também mostra simpatizantes do CV fugindo pela região, numa tentativa de escapar do cerco das forças de segurança.
A operação, batizada de “Contenção”, mobilizou 2,5 mil agentes das polícias Militar, Civil e forças especiais. Até o momento, foram 121 mortos e 113 presos, incluindo quatro policiais, dois civis e dois militares.
O objetivo, segundo a Secretaria de Segurança Pública, era enfraquecer o poder do Comando Vermelho e interromper a expansão territorial da facção. Enquanto isso, a rotina dos moradores virou um retrato do caos. Escolas suspenderam as aulas, comércios fecharam as portas e o transporte público foi interrompido.
Muitos trabalhadores, pegos de surpresa, ficaram horas presos no trânsito ou sem conseguir voltar para casa. A fuga silenciosa registrada nas câmeras lembrou episódios de 2010, quando traficantes escaparam por uma trilha semelhante durante outra operação policial.
Hoje, mais de uma década depois, o cenário se repete, com novos rostos, as mesmas vielas e o mesmo medo de sempre.

