O relato de Yasmin Souza Menezes traz uma camada de humanidade e esclarecimento necessária a um caso que, inicialmente, poderia ser rotulado apenas como mais uma tragédia em busca de padrões estéticos.
Nesta quarta-feira, 11 de março de 2026, a filha da empresária Jéssica Santiago destacou que a cirurgia que resultou na morte de sua mãe, ocorrida em Tangará da Serra, tinha como objetivo principal tratar complicações de saúde reais.
Segundo Yasmin, após uma bariátrica realizada em 2020, Jéssica passou a sofrer com o excesso de pele e o surgimento de nódulos que inflamavam constantemente, gerando dor e infecções.
O procedimento recente visava reverter esse quadro doloroso nas pernas, e a lipoaspiração seria realizada aproveitando o momento anestésico, reforçando que a motivação central era a necessidade física e não a vaidade.
“Ela ia reabrir novamente e tirar os nódulos das pernas, e ia aproveitar a anestesia para fazer a lipo. Então, não era por beleza, e sim por necessidade”, disse, ao falar sobre o assunto.
O caso avançou significativamente na esfera judicial com o indiciamento de dois médicos por suspeita de homicídio culposo, após a conclusão de investigações da Polícia Civil nesta segunda-feira.
O laudo necroscópico e pericial foi contundente ao identificar que a causa da morte foi um pneumotórax bilateral, provocado pela perfuração da parede torácica posterior por um instrumento cirúrgico durante o procedimento.
Embora os médicos neguem o erro e aleguem que a lesão possa ter ocorrido devido à pressão exercida durante as manobras de reanimação, o inquérito estabeleceu um nexo técnico direto entre a cirurgia e o óbito.
Paralelamente, o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso abriu uma sindicância sigilosa para apurar possíveis infrações éticas, enquanto o Ministério Público agora analisa as provas para decidir sobre a abertura de um processo judicial formal.
Para além dos laudos técnicos, a história de Jéssica Santiago é a de uma mulher que foi pilar de sua comunidade e exemplo de empreendedorismo. Antes de consolidar sua loja de roupas em Pontes e Lacerda, ela atuou como professora em dois períodos e deu aulas em territórios indígenas na região do Sararé.
Sua trajetória nos negócios começou de forma humilde na porta da casa da avó, conquistando clientes entre colegas e alunos até conseguir se estabelecer no centro da cidade.
Com sua partida, os planos da família foram transformados; Yasmin agora planeja mudar a loja para um ponto fixo próprio para garantir o sustento enquanto se dedica ao curso de Odontologia em Cuiabá, realizando o maior sonho de sua mãe.

