A decisão anunciada pela Justiça do Maranhão encerra uma das etapas mais importantes de um caso que gerou grande comoção no estado e mobilizou autoridades ao longo de meses.
O episódio chamou atenção pela forma como ocorreu e pelo impacto causado em uma mesma família, que teve sua rotina transformada em poucos dias. Casos envolvendo alimentos contaminados são considerados raros, mas costumam despertar forte repercussão social devido à dificuldade das vítimas em identificar qualquer risco imediato.
Especialistas em segurança alimentar destacam que situações desse tipo reforçam a importância das investigações técnicas e da atuação rápida dos órgãos de segurança para esclarecer os fatos.
Na noite de segunda-feira (22), Jordélia Pereira Barbosa foi condenada a 66 anos de prisão em regime fechado pela morte de duas crianças e pela tentativa de homicídio contra a mãe delas.
As vítimas foram Luiz Fernando Rocha Silva, de 7 anos, e Evillyn Fernanda Rocha Silva, de 13, que morreram após consumirem um ovo de Páscoa entregue na residência da família, em Imperatriz, no interior do Maranhão, em abril de 2025.
A mãe das crianças, Mírian Lira, também ingeriu o produto e precisou permanecer internada em uma unidade de terapia intensiva por vários dias. Para assistir aos vídeo CLIQUE AQUI!
Ela recebeu atendimento médico e conseguiu se recuperar. Além da pena de prisão, a Justiça determinou indenizações por danos morais destinadas à mãe e ao pai das vítimas.
Durante as investigações, a Polícia Civil e o Ministério Público concluíram que a ação foi planejada previamente. De acordo com o processo, a acusada teria organizado o envio do presente utilizando um serviço de entrega, enquanto buscava ocultar sua participação.
Materiais apreendidos e outros elementos reunidos ao longo da apuração ajudaram a sustentar a acusação apresentada ao Tribunal do Júri. Ao longo do julgamento, Jordélia admitiu ter comprado e enviado o chocolate, mas negou qualquer responsabilidade pela contaminação do produto.
A versão apresentada não convenceu os jurados, que reconheceram sua responsabilidade pelos fatos. O caso reforça a importância da atuação conjunta entre investigação, Justiça e instituições de proteção às vítimas, além de destacar o impacto duradouro que episódios dessa natureza deixam para familiares e comunidades inteiras.

