Desde a última terça-feira (18/02), a semana tem se desenrolado de forma bastante sensível para uma série de temas envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Na terça, Bolsonaro e aliados foram denunciados pela PGR por tentativa de golpe de estado e outros crimes.
Já nesta quarta, mais informações sobre o assunto tem sido reveladas aos poucos. Em um movimento que chama a atenção da imprensa, o ministro Alexandre de Moraes derrubou o sigilo sobre a delação premiada de Mauro Cid.
Ao longo do governo Bolsonaro, Cid desempenhou um papel de muita relevância como um “braço direito” do ex-presidente. O militar era ajudante de ordens de Bolsonaro e esteve envolvido em vários temas que agora se desenrolam.
Para colaborar com a Justiça e ter sua própria eventual pena atenuada, Cid assinou a delação e confessou suas ações ao longo do governo Bolsonaro, muitas das quais acabam colocando o ex-presidente em maus lençóis.
No entanto, o próprio Cid também arriscou prejudicar seu acordo com a Justiça. É o que revelam informações divulgadas nesta quarta. Isso porque, segundo a Polícia Federal, Cid teria omitido informações durante seus depoimentos.
No dia 19 de novembro de 2024, Cid prestou um depoimento à Polícia Federal, mas os agentes identificaram inconsistências nas declarações do militar e alertaram o ministro Alexandre de Moraes, que é relator do caso.
Como consequência disso, Moraes ordenou o grampo sobre os telefones usados por Cid. Além disso, Cid também passou a ter suas visitas monitoradas pela PF. A suspeita era de que ele estivesse alinhando seus depoimentos com outros envolvidos no caso.
Cid foi convocado a prestar esclarecimentos no dia 21, e foi questionado sobre as inconsistências no depoimento anterior. Os documentos mostram que a Polícia Federal agiu para garantir que Cid prestaria esclarecimentos sem interferências de terceiros.

