Nesta quarta-feira (19/02), Alexandre de Moraes encerrou o sigilo sobre a delação premiada de Mauro Cid à Polícia Federal. O fim do sigilo vem sendo dissecado pela imprensa, com novos detalhes sendo revelados.
Cid foi ajudante de ordens de Bolsonaro durante seu governo e, por isso, esteve ao lado do ex-presidente durante vários momentos sensíveis. Em meados de 2023, o militar assinou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal e se comprometeu a falar.
Com a delação de Cid, a PF investigou uma série de crimes contra Bolsonaro e vários aliados. O desfecho disso se deu na última terça, quando a Procuradoria Geral da República formalizou denúncia contra mais de 30 pessoas, incluindo o próprio Bolsonaro.
No entanto, o próprio Mauro Cid chegou perto de prejudicar seu acordo com a PF no fim de 2024. Na ocasião, a Polícia Federal desconfiou do militar após um depoimento em que Cid omitiu informações.
Em decorrência das investigações, a Polícia Federal já tinha informações e questionou Mauro Cid sobre os fatos. Cid então teria omitido fatos sobre os quais a PF já tinha conhecimento. Neste momento, o relator Alexandre de Moraes foi acionado e deu uma “dura” em Cid.
Segundo os documentos divulgados pelo próprio Alexandre de Moraes, em novembro do ano passado, Mauro Cid foi sofreu pressão durante uma audiência para cooperar com as investigações.
“Não há, na colaboração premiada essa ideia de que ‘só respondo o que me perguntam’. Não! O colaborador ou colabora com dados efetivos, […] ou não há por que, dentro dessa ideia de justiça colaborativa, se dar os benefícios”, disse Moraes, alertando o delator.
Na ocasião, o procurador Paulo Gonet chegou a dar parecer favorável pela prisão preventiva de Mauro Cid. O militar então recuou e respondeu as perguntas feitas pelas autoridades, agradecendo a oportunidade de esclarecer os fatos. No fim da audiência, o acordo de delação teve seu conteúdo mantido.

