O aumento dos casos de violência doméstica no Brasil tem despertado preocupação crescente entre autoridades e especialistas. Em muitas situações, conflitos familiares acabam evoluindo para episódios graves, que deixam comunidades inteiras em alerta.
Um caso investigado no Rio Grande do Sul reforça essa preocupação e tem mobilizado policiais em uma operação complexa para esclarecer o desaparecimento de três pessoas da mesma família.
A Polícia Civil realiza buscas em áreas de mata e rios próximos ao município de Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, na tentativa de localizar pistas sobre o paradeiro de Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, e de seus pais, Isail Aguiar, de 69, e Dalmira Aguiar, de 70.
Os três estão desaparecidos desde os dias 24 e 25 de janeiro, e o caso já ultrapassa 40 dias sem respostas definitivas. As diligências começaram ainda no fim de fevereiro, quando investigadores passaram a vasculhar regiões rurais e pontos ligados tanto às vítimas quanto ao principal suspeito.
Até o momento, as operações estão sendo conduzidas exclusivamente por policiais civis, sem apoio do Corpo de Bombeiros. Silvana passou a integrar a lista de casos classificados como feminicídio no estado em 2026, tornando-se a 20ª vítima do ano.
Além disso, os investigadores já descartam a possibilidade de encontrar os pais dela com vida, o que aumenta a pressão por esclarecimentos sobre o ocorrido. O principal suspeito é o ex-companheiro de Silvana, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, que está preso temporariamente enquanto a investigação avança.
Ele já foi ouvido pelas autoridades, mas permaneceu em silêncio durante o depoimento. A linha do tempo do caso mostra uma sequência de acontecimentos que levantaram suspeitas. Antes do desaparecimento, Silvana chegou a procurar o Conselho Tutelar para relatar desentendimentos envolvendo o ex-marido e questões relacionadas ao filho do casal.
No dia em que ela foi vista pela última vez, uma publicação em suas redes sociais afirmava que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas estava bem. Posteriormente, a polícia confirmou que a viagem nunca aconteceu, indicando que a mensagem pode ter sido usada para despistar o desaparecimento.
Imagens de câmeras de segurança também mostraram movimentações incomuns de veículos na residência da mulher naquela noite. Nos dias seguintes, vestígios de sangue foram encontrados na casa, além de material genético e impressões digitais que seguem em análise pericial.
As investigações continuam em andamento e novas buscas podem ocorrer nos próximos dias. Enquanto isso, familiares e moradores da região aguardam respostas para um caso que segue cercado de dúvidas e mobiliza as autoridades do estado.

