A cidade de Belo Horizonte amanheceu nesta quarta-feira sob a notícia do falecimento do prefeito Fuad Noman, figura respeitada por sua longa trajetória no serviço público.
Economista de formação e servidor de carreira do Banco Central, Fuad acumulou décadas de experiência em cargos estratégicos, tanto no Governo Federal quanto no estadual e municipal, consolidando uma reputação marcada pela ética, responsabilidade administrativa e sensibilidade social.
Mesmo com uma vida pública extensa, sua participação direta em disputas eleitorais foi tardia, tendo sido eleito prefeito da capital mineira apenas aos 77 anos, após uma campanha desafiadora em meio ao tratamento de um linfoma abdominal.
Desde o início do ano, a saúde do prefeito vinha se deteriorando. Ele estava internado desde o dia 3 de janeiro em um hospital da capital, em função de um grave quadro de insuficiência respiratória.
Durante os quase três meses de internação, apresentou melhoras pontuais, chegando a sair da Unidade de Terapia Intensiva e a respirar sem ajuda de aparelhos. No entanto, uma parada cardiorrespiratória na noite de terça-feira agravou sua condição de forma irreversível.
Essa foi a quarta internação desde o fim das eleições, período em que enfrentou outros problemas de saúde, como pneumonia, neuropatia e sinusite, além de episódios de diarreia, agravados pelo histórico de câncer e pela idade avançada.
Mesmo diante de sua fragilidade física, Fuad fez questão de tomar posse remotamente no início de seu segundo mandato, dois dias antes de sua última internação.
Na ocasião, enviou uma mensagem otimista aos presentes, na qual demonstrava gratidão pelo cuidado médico recebido e confiança em estar preparado para os desafios do novo ciclo à frente da prefeitura. A cerimônia marcou sua última manifestação pública.
Antes de ocupar o cargo máximo do Executivo municipal, Fuad exerceu funções de destaque em diversos órgãos. Atuou no Tesouro Nacional, na Casa Civil, no Banco do Brasil e foi secretário de Fazenda e de Obras em Minas Gerais, durante as gestões de Aécio Neves e Antônio Anastasia.
Também presidiu a Gasmig, a companhia estadual de gás. Em 2012, decidiu se afastar da vida pública e se dedicar à família em um sítio, onde pretendia acompanhar o crescimento dos netos, especialmente de Isabela, a mais nova, com quem mantinha um vínculo especial.
Natural de Belo Horizonte, Fuad sempre afirmou que sua maior realização seria concluir os projetos iniciados como prefeito. Em entrevistas após a vitória eleitoral de outubro, destacou que não almejava cargos mais altos e que sua missão era encerrar a vida pública contribuindo diretamente com sua cidade natal.
Planejava encerrar o mandato aos 81 anos e retornar à convivência familiar, acreditando que seus netos já estariam formados e iniciando novas fases da vida. Sua morte encerra uma trajetória marcada por dedicação, competência técnica e visão pública.
Deixa esposa, dois filhos e quatro netos, além de um legado de trabalho e compromisso com Belo Horizonte. O falecimento do prefeito reforça a importância do cuidado contínuo com a saúde de lideranças públicas e levanta reflexões sobre os desafios enfrentados por gestores em exercício durante tratamentos delicados.

