Nilda Salete dos Santos, mãe da cantora trans Santrosa, de 27 anos, vive uma dor irreparável desde o brutal assassinato da filha, ocorrido em 10 de novembro, em Sinop, no Mato Grosso.
Encontrada decapitada, com mãos e pés amarrados, Santrosa estava desaparecida desde o dia anterior, quando saiu de casa para um show que nunca aconteceu.
As autoridades afirmam que a principal linha de investigação aponta para uma execução ordenada pela facção criminosa Comando Vermelho, devido a supostas desavenças relacionadas à venda de drogas sintéticas.
No entanto, Salete refuta essa versão, declarando que nunca viu a filha usando drogas e que nunca viu ela envolvida com qualquer tipo de tráfico. A mãe pede para que a imagem de sua filha não seja manchada.
Cantora, ex-candidata a vereadora pelo PSDB e ativista cultural, Santrosa tinha um canal no YouTube com mais de 4.000 inscritos, onde publicava clipes de suas músicas.
Na política, defendia pautas voltadas à cultura e aos direitos das comunidades periféricas. Caso eleita, ela se tornaria a primeira mulher trans na Câmara de Sinop.
Além disso, ela participou da Miss Gay Mato Grosso em abril, representando sua cidade com um vestido costurado pela mãe. E com isso, Salete contou que a filha fazia questão de que suas roupas fossem feitas por ela. “Não choro porque já chorei tudo que tinha”, declarou a mãe.
Para Salete, a sexualidade de Santrosa nunca foi um problema. Ela descreve a filha como uma pessoa especial e carinhosa, que a ajudou em momentos difíceis.
O delegado Bráulio Junqueira, responsável pelo caso, reiterou que a facção teria dado ordens à vítima para cessar a venda de drogas e, ao descumprir, foi executada de forma “covarde”.
Ele também afirmou que a casa de Santrosa foi revirada, supostamente em busca de substâncias ilícitas. Contudo, os autores do crime ainda não foram identificados, e a polícia não esclareceu se a cantora tinha antecedentes criminais.

