Em Campinas, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) condenou o influenciador Peter Liu por manter uma empregada em condições análogas a escravidão. A vítima trabalhou, segundo o processo, por cerca de 30 anos para a família.
A mulher, que hoje tem 59 anos, servia não apenas à família do influenciador, como também a clínica dele. No processo, alegou que chegava a trabalhar 15 horas diárias, sem receber salário e sob condições degradantes.
A vítima alegou que tinha horas restritas para se alimentar ou dormir, e que chegou a dormir no consultório do influenciador. A mulher também contou que vivia a partir do troco que recebia quando fazia compras para a família.
Peter Liu é conhecido nas redes sociais, onde atua como influenciador de medicina chinesa. Ele veio para o Brasil ainda em 1992, com a então esposa, Jane Liu. O casal se baseou em Recife, quando conheceu a funcionária, que foi recomendada para cuidar do filho mais velho deles.
Em sua defesa, Peter alegou que não tinha contato com a vítima há cerca de 20 anos e que ela teria sido funcionária de sua esposa. No entanto, fotos mostraram que a vítima trabalhava para Peter até pelo menos 2018.
Quando começou a trabalhar para a família, como babá, a mulher recebia um salário mínimo e não foi registrada. Depois, o casal se mudou para São Paulo e convidou a mulher a se mudar com eles. Em Campinas, o casal parou de pagar o salário à mulher – que é semianalfabeta.
Apenas em 2022, após tomar conhecimento da situação que vivia, a mulher confrontou o casal sobre seus direitos. Neste momento, segundo a denúncia, Jane Liu teria feito ameaças de morte não apenas contra ela, como também a sua família.

