Casos de feminicídio continuam entre os crimes que mais mobilizam autoridades e despertam debates sobre a proteção de mulheres em situações de vulnerabilidade. Além da dor provocada pela perda de vidas, muitas investigações revelam tentativas de ocultar evidências ou dificultar a identificação das circunstâncias que levaram aos fatos.
Em Dracena, no interior de São Paulo, a investigação sobre a morte de Thalya Andréya Canhim Nunes, de 21 anos, ganhou novos desdobramentos após a prisão do companheiro da jovem. O homem, de 24 anos, é apontado pela Polícia Civil como principal suspeito do caso e foi detido durante uma operação realizada nesta sexta-feira (12).
De acordo com as informações apuradas pelos investigadores, o suspeito relatou em interrogatório que uma discussão entre o casal teria começado após um desentendimento relacionado a supostas mensagens trocadas pela jovem com outra pessoa.
Durante o depoimento, ele apresentou sua versão dos acontecimentos e passou a ser formalmente investigado pela morte da companheira. As investigações também indicam que, após o ocorrido, o homem deixou a residência e foi até a casa de um colega para assistir a uma partida de futebol.
Posteriormente, ele retornou ao imóvel onde a vítima estava e, segundo a polícia, teria realizado ações com o objetivo de criar uma versão diferente para os fatos e afastar suspeitas sobre sua participação, simulando um possivél suicídio.
O corpo de Thalya foi encontrado em um cômodo localizado nos fundos da residência na manhã de sábado. Conforme a apuração policial, o suspeito informou que os acontecimentos tiveram início em outro ambiente da casa e que posteriormente houve movimentação do corpo para o local onde a vítima foi localizada pelas equipes da Polícia Militar.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi o fato de o homem ter permanecido no imóvel durante parte do fim de semana, na companhia das filhas do casal. Segundo a polícia, ele deixou a residência apenas nas primeiras horas da manhã do dia seguinte.

Inicialmente registrado como morte suspeita, o caso passou por uma série de diligências e oitivas com familiares, amigos e pessoas próximas ao casal. Os relatos reunidos ao longo da investigação contribuíram para a reconstrução da dinâmica dos acontecimentos e para a identificação de possíveis inconsistências nas versões apresentadas.
A prisão do investigado ocorreu em seu local de trabalho, durante uma ação conjunta das equipes da Delegacia de Investigações Gerais e da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes.
A Polícia Civil informou que o caso continua em apuração para esclarecer todos os detalhes e reunir elementos que auxiliem no andamento do processo judicial.

