A segunda-feira (19/06) ficou marcada pela ação criminosa de um homem que abriu fogo contra alunos de uma escola estadual em Cambé, Paraná. Dois adolescentes morreram após serem atingidos na cabeça.
O caso chocou o Brasil, poucos meses depois de uma verdadeira epidemia de atentados vivida no país. Agora, a polícia se esforça para investigar a ação do homem, suas motivações e eventuais cúmplices – um segundo suspeito já foi preso.
Uma das informações que chama a atenção em relação ao caso é a maneira como o suspeito foi contido. Nas primeiras reportagens acerca do episódio, foi informado que um professor da escola havia contido o atirador.
Por meio de declaração oficial, o governador do estado, Ratinho Jr., chegou a confirmar a informação e destacar o trabalho de treinamento oferecido pela PM aos funcionários da escola, associando o treinamento à ação do professor.
No entanto, nesta terça-feira (20/06), foram confirmadas algumas informações que corrigem as declarações do governador. O homem que, efetivamente, interrompeu a ação do atirador não é professor, sequer funcionário, da unidade.
Trata-se do prestador de serviços Joel de Oliveira, 62 anos, que não teve qualquer treinamento prévio para agir na situação. Em entrevista à afiliada da Globo no estado, Joel explicou que estava trabalhando na rua, próximo a escola.
Ao ouvir o som dos tiros, ele decidiu entrar na escola, no fluxo contrário ao dos estudantes. Joel explicou que vota na escola e que, por isso, conhecia bem o interior da unidade.
“Eu corri para dentro e não tinha ninguém no portão, o pessoal que estava conseguindo sair estava saindo, e eu fui entrando no meio da turma. Conheço bem o colégio, e faço a votação nesse colégio”, explicou.
Joel conta que entrou na escola e passou a procurar pelo atirador e que, ao encontra-lo, mentiu e se apresentou como policial. Sem preparo e apenas com o celular no bolso, ele afirmou que não teve medo e que estava apenas tentando salvar as crianças.
“Ele parou, colocou a mão na cabeça, não reagiu. Eu não tive medo, na hora eu vim para tentar salvar mais crianças”, contou. Joel conta que deitou no chão imobilizando o suspeito até a chegada da polícia e que, a partir de então, se retirou da escola.

