De modo geral, certos hábitos podem acarretar efeitos secundários bastante comuns, como fumar, ou até mesmo iniciar ou interromper o uso de algum medicamento.
No entanto, após suspender a ingestão de um remédio, um indivíduo de 64 anos, residente nos Estados Unidos, experimentou uma reação notavelmente peculiar e incomum: sua língua adquiriu uma coloração verde e apresentou um crescimento de pelos.
Eric Karr e Brian Elliot, profissionais vinculados ao Centro Médico Wright-Patterson em Ohio, Estados Unidos, acompanharam e documentaram o caso, que foi posteriormente detalhado em um estudo publicado na revista The New England Journal of Medicine em 6 de julho.
“Ao examinarmos o físico, a língua tinha filiformes na papila e uma coloração verde. Nenhuma outra lesão oral ou dental foi observada. O diagnóstico foi língua peluda”, descrevem os médicos.
Os pesquisadores do estudo ainda explicam que, embora a situação pareça bastante peculiar, ela é, na realidade, comum e inofensiva, resultante da acumulação de células mortas da pele na superfície da língua.
Como resultado, as papilas da língua do indivíduo se desenvolvem de maneira anormal, o que leva à retenção de substâncias como alimentos e bactérias, resultando em uma coloração que pode variar entre preto, marrom, amarelo e até mesmo verde, como observado nesse caso específico.
De acordo com o relato da Revista Galileu, a condição conhecida como “língua peluda” pode ser desencadeada não apenas por efeitos colaterais de antibióticos, mas também devido à falta de higiene bucal adequada, boca seca, tabagismo e até mesmo pelo consumo de alimentos de textura macia, que não promovem a remoção das células mortas da língua.

No caso em questão, as alterações na língua do indivíduo americano começaram após ele interromper o uso de antibióticos para tratar uma infecção dentária.
O processo terapêutico para a enfermidade, em contrapartida, é igualmente descomplicado: consiste fundamentalmente na eliminação dos “fios pilosos”, juntamente com uma reinserção nos hábitos de asseio oral.
Adicionalmente, os profissionais de saúde recomendaram ao indivíduo que massageasse sua língua com a escova dental e cessasse o consumo de tabaco.
Passados seis meses desde o registro do incidente, a língua do indivíduo retornou ao seu estado habitual, desempenhando suas funções normais, mesmo diante de sua recusa em interromper o hábito de fumar durante esse período.

