Uma ex-namorada do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior prestou depoimento ao júri popular nesta quarta-feira (28) e relatou episódios de violência envolvendo o filho dela, que tinha 3 anos na época do relacionamento.
A mulher foi ouvida como testemunha de acusação e seu relato reforça uma imagem do réu como uma figura violenta. Em seu relato, ela afirmou ter sido dopada e estuprada durante o relacionamento com o ex-parlamentar.
Segundo o relato apresentado no tribunal, Jairinho agredia a criança com frequência e tentava justificar os ferimentos. A mulher contou que o menino aparecia com marcas pelo corpo, além de apresentar mudanças de comportamento enquanto convivia com o então namorado da mãe.
Durante a audiência, a ex-companheira afirmou ainda que viveu situações de abuso psicológico e disse que sentia medo constante do ex-vereador. Em um dos momentos mais fortes do depoimento, declarou acreditar que foi dopada antes de sofrer violência sexual. “Tenho medo dele”, afirmou ao júri.
A testemunha afirmou que seu filho procurou ajuda primeiro com a avó materna e, apenas depois, relatou agressões para ela. “Ele contou que botou papel e pano na boca dele pra que ele não gritasse e começou a pisar na barriguinha dele. E falou que ele ficava rindo”, disse.
Segundo a testemunha, a agressão em questão teria acontecido em um dia em que ela foi dopada e agredida sexualmente. A mulher conta que o filho relatou ter tentado acorda-la após ser agredido, mas que ela não respondeu.
O depoimento aconteceu no julgamento de Jairinho e de Monique Medeiros, acusados pela morte do menino Henry Borel, em 2021. As oitivas fazem parte da fase do processo em que testemunhas são ouvidas para ajudar na análise do caso.
Ao longo do julgamento, outras ex-companheiras do ex-vereador também já relataram episódios de agressão contra crianças. Segundo a acusação, os depoimentos reforçam a tese de que Jairinho apresentava um padrão de comportamento violento em relacionamentos anteriores.
Henry Borel morreu aos 4 anos, no apartamento onde morava com a mãe e Jairinho, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. O caso provocou grande comoção nacional e segue entre os crimes de maior repercussão do país nos últimos anos.

