O cenário econômico internacional e as relações comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos ganharam novos contornos nesta primeira semana de junho de 2026. Em entrevista concedida ao portal TMC News, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL) sugeriu que o governo brasileiro poderia colocar adotar outro sistema de pagamentos.
Com isso, ele cogitou inclusive sua eventual substituição pelo Zelle, plataforma de transferências digitais utilizada no mercado estadunidense. A proposição surge como uma reação estratégica à conclusão de uma investigação da Seção 301 pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
O relatório do órgão governamental norte-americano recomendou a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre produtos importados do Brasil, sob a alegação de que o país adota práticas comerciais desleais.
Entre os argumentos técnicos apresentados, os EUA acusam as políticas de pagamento eletrônico brasileiras de desfavorecerem corporações financeiras americanas ligadas ao comércio digital e de cartões de crédito.
Além do Pix, Eduardo Bolsonaro defendeu a inclusão de commodities estratégicas na pauta de discussões, citando reservas nacionais de manganês e minerais de terras raras como ativos que poderiam amortecer os impactos de uma retaliação tarifária de Washington.
No entanto, analistas de mercado apontam um viés protecionista na ofensiva dos EUA, visto que a massificação do Pix reduziu de forma acentuada a dependência do mercado brasileiro em relação às tradicionais bandeiras de cartões americanas.
Especialistas em tecnologia financeira ressaltam assimetrias significativas entre os dois ecossistemas: enquanto o Pix, opera com compensações imediatas, o Zelle não funciona igual. Além disso, o sistema pertence a um grupo de bancos privados dos EUA, enquanto o pix é um bem público brasileiro.
O Zelle apresenta um alcance restrito, não sendo integrado à totalidade das instituições bancárias norte-americanas, além de demandar alguns minutos para a liquidação dos recursos. Esse debate macroeconômico ocorre em um momento em que a pauta política e o noticiário factual brasileiro seguem dinâmicos.

