A nova etapa da Operação Compliance Zero trouxe à tona detalhes de bastidores que ampliaram a pressão sobre investigados apontados pela Polícia Federal como integrantes de uma estrutura clandestina de influência e repasses financeiros.
A decisão assinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, descreve diálogos atribuídos ao empresário Henrique Vorcaro e ao policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, identificado pelos investigadores como uma das figuras centrais do grupo apelidado de “A Turma”.
Segundo o documento, as conversas analisadas pela PF indicam que Henrique mantinha contato frequente com Marilson e teria continuado financiando atividades consideradas ilegais mesmo durante o avanço das investigações.
As mensagens reproduzidas no despacho mostram cobranças relacionadas a pagamentos e pedidos de envio de recursos. Em um dos trechos mencionados, Marilson reclama da demora nos repasses e afirma estar sustentando sozinho a operação do grupo.
Henrique responde dizendo que aguardava a entrada de dinheiro para efetuar novos envios. Outro ponto destacado pela decisão envolve a suposta divisão mensal de valores entre integrantes ligados ao esquema investigado.
De acordo com o despacho, Marilson teria explicado como o dinheiro era repartido entre diferentes participantes, incluindo pessoas descritas como editores e colaboradores do grupo. Os investigadores apontam que os diálogos sugerem uma estrutura organizada e permanente de pagamentos.
A decisão também relata que parte das conversas entre os investigados teria sido apagada do aparelho celular do policial aposentado. Mesmo assim, segundo o STF, a Polícia Federal conseguiu reconstruir parte das trocas de mensagens a partir de outros elementos reunidos durante a investigação.
Os agentes ainda identificaram mudanças frequentes de números telefônicos e o uso de linha internacional registrada na Colômbia. Em outro trecho citado no despacho, Marilson aparece buscando informações relacionadas a investigações envolvendo Henrique Vorcaro.
A PF afirma que ele teria acionado contatos ligados às forças de segurança para obter detalhes sigilosos sobre procedimentos em andamento. Além das mensagens, o ministro menciona cruzamento de registros telefônicos, monitoramento externo e encontros presenciais entre investigados.
Segundo a decisão, uma reunião reservada realizada em março de 2026 reuniu nomes apontados pelos investigadores como participantes ativos da estrutura investigada. O caso segue sob análise das autoridades federais e pode gerar novos desdobramentos nos próximos meses.

