A noite desta terça-feira, 24 de março de 2026, foi marcada por um episódio devastador no bairro Farolândia, em Aracaju. O casal Washington Luís da Silva Matos e Ane Jaqueline Costa Santos Matos perdeu a vida após cair do 9º andar de um edifício.
O caso, que ainda está sob investigação rigorosa da Polícia Civil, mobilizou não apenas as forças de segurança, mas também a vizinhança, que tentou impedir a tragédia momentos antes do desfecho fatal na área comum do condomínio.
Antes da queda, o conflito dentro do apartamento gerou um alerta desesperado entre os moradores. Três vizinhos, em uma tentativa de intervir na discussão e cessar a violência, tentaram entrar no imóvel, mas acabaram atingidos por golpes de faca.
Uma das vizinhas, de 57 anos, precisou passar por uma cirurgia de emergência no Hospital de Urgências de Sergipe (Huse) e segue em estado estável. Os outros dois envolvidos também buscaram socorro médico.
Foi logo após a saída desses vizinhos em busca de ajuda que o casal caiu do edifício. O cenário revelado pelos primeiros levantamentos aponta para uma dinâmica de convivência extremamente fragilizada ao longo de mais de 20 anos de união.
Washington Luís já possuía registros de denúncias por violência doméstica desde 2021 e um histórico conhecido de alcoolismo. Em entrevista, o advogado do casal, Ricard Cezar, trouxe à tona uma camada ainda mais complexa.
O advogado contou que ambos enfrentavam graves problemas de saúde mental, com episódios diários de alucinações e delírios persecutórios. Segundo ele, as famílias vinham tentando, sem sucesso, intervenções psiquiátricas e internações.
A Polícia Civil de Sergipe trabalha com a hipótese de que o homem teria agredido a esposa antes de ambos caírem, o que poderia configurar um feminicídio seguido de suicídio, embora a tipificação oficial ainda dependa dos laudos periciais.
Para elucidar a dinâmica exata dos fatos, as autoridades apreenderam celulares, computadores e a faca utilizada no ataque aos vizinhos. Além disso, imagens das câmeras de segurança do condomínio e possivelmente do interior da residência serão analisadas.
“Infelizmente era uma tragédia que a gente vinha lutando muito para não acontecer”, desabafou o advogado Ricard Cezar ao detalhar o histórico de sofrimento psíquico do casal.
Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) e a polícia aguarda a plena recuperação das testemunhas feridas para colher depoimentos que possam preencher as lacunas sobre os últimos minutos dentro do apartamento.

