Nos últimos anos, alguns padres têm se tornado figuras públicas não apenas pela fé, mas também pelas polêmicas que envolvem suas atuações fora do altar, que nem sempre agradam a todos.
O mais recente episódio envolve o padre Júlio Lancellotti, conhecido por seu trabalho com pessoas em situação de rua, que foi orientado pelo arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, a suspender as transmissões de suas missas nas redes sociais.
A medida, segundo o religioso, foi apresentada como uma forma de “recolhimento e proteção”, mas acabou provocando grande repercussão entre fiéis e lideranças católicas. Durante uma celebração no último domingo, dia 14 de dezembro, transmitida pela Rede TVT e pelo YouTube, o padre comunicou que aquela poderia ser uma de suas últimas missas exibidas publicamente.
“Dom Odilo me pediu para dar um tempo. Tenho apenas que obedecer”, afirmou, com visível emoção. A decisão foi vista por muitos como uma tentativa de silenciar o sacerdote, que há décadas atua na Paróquia São Miguel Arcanjo, na Mooca, e mantém forte presença nas redes sociais. Veja momento do anúncio:
Dói demais ver o Padre Júlio Lancelotti anunciar o fim das transmissões das missas e ser impedido de usar as redes. Depois de quase 40 anos na paróquia, ele deve ser transferido após virar alvo constante de ataques de parlamentares da direita. pic.twitter.com/GDvAyT232K
— Bruno Guzzo® (@brunoguzzo) December 16, 2025
O contexto, no entanto, vai além das transmissões. Júlio Lancellotti tem sido alvo constante de críticas de setores conservadores da política, especialmente após denúncias e campanhas que pedem seu afastamento. O deputado federal Junio Amaral (PL-MG), por exemplo, chegou a encaminhar um abaixo-assinado ao Vaticano solicitando sua remoção.
Aos 76 anos, o padre está próximo da idade de aposentadoria prevista pelas normas da Igreja, mas afirma que essa decisão não é automática. “Há padres que continuam em suas funções até os 80 ou 90 anos”, disse. Até o momento, a Arquidiocese não confirmou nenhuma transferência, mas o futuro do religioso segue incerto.
Enquanto isso, a decisão de restringir suas missas on-line reacendeu discussões sobre a liberdade pastoral e o papel das redes sociais na evangelização moderna — um tema que promete dividir opiniões dentro e fora da Igreja.

