Uma mobilização médica desesperada não foi suficiente para salvar os gêmeos siameses Marcos e Matheus, que faleceram nesta quinta-feira (8) no Hospital Estadual da Mulher (Hemu), em Goiânia.
Após um dos bebês sofrer sucessivas paradas cardiorrespiratórias na madrugada, uma equipe multidisciplinar realizou uma cirurgia de separação de emergência na tentativa de preservar a vida do segundo irmão.
No entanto, por volta das 16h45, a unidade de saúde confirmou que nenhum dos dois recém-nascidos resistiu à gravidade do quadro clínico. A família, vinda do interior do Mato Grosso, acompanhava o caso desde o parto de alta complexidade.
A crise teve início nas primeiras horas desta quinta-feira, quando Marcos apresentou uma falha sistêmica grave, evoluindo para paradas cardíacas que não responderam às manobras de ressuscitação.
Diante do óbito iminente de um dos irmãos, a equipe assistencial, liderada pelo renomado cirurgião pediátrico Zacarias Calil, decidiu pela separação imediata dos bebês, procedimento que, em condições normais, só ocorreria quando os gêmeos tivessem entre 8 meses.
O objetivo da intervenção, iniciada às 10h, era desvincular Matheus do corpo do irmão falecido para evitar que toxinas e a falência circulatória o atingissem.
Apesar do suporte intensivo e de todos os cuidados especializados empregados durante a tarde, Matheus também não suportou o estresse cirúrgico e as anomalias congênitas, vindo a óbito poucas horas depois.
Naturais de Canarana, no Mato Grosso, os pais dos bebês percorreram cerca de 600 quilômetros até a capital goiana em busca do atendimento de referência oferecido pelo Hemu.
Marcos e Matheus nasceram com 34 semanas de gestação e eram classificados como “isquiópagos tripus”, uma forma extremamente rara de gemelaridade.
Eles eram unidos pelo tórax, abdômen e bacia, compartilhando a mesma genitália e possuindo apenas três pernas, além de apresentarem anomalias anorretais graves.
Desde o nascimento, os bebês vinham sendo monitorados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e já haviam passado por uma colostomia para garantir o funcionamento intestinal.
Todo o pré-natal de Raylane, a mãe de 22 anos, foi realizado na unidade goiana, o que permitiu um planejamento minucioso para o parto. Raylane permanece internada na enfermaria do hospital e, segundo o boletim médico, seu estado de saúde é estável.
Em nota conjunta, a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) e o Hemu manifestaram profunda solidariedade à família. O comunicado reforçou que a equipe médica exauriu todas as possibilidades terapêuticas para tentar salvar ao menos um dos bebês.
O caso de Marcos e Matheus comoveu a equipe do hospital e a comunidade de Canarana, evidenciando os desafios extremos enfrentados em casos de gemelaridade imperfeita e a complexidade das decisões éticas e médicas em situações de urgência.

