Poucas dores são tão profundas quanto a perda de uma jovem mãe logo após dar à luz. O nascimento, momento que deveria ser de alegria e celebração, transformou-se em luto para familiares e amigos da arquiteta e urbanista Larissa Pompermayer Ramos, de 29 anos, que morreu após complicações decorrentes de uma cesariana realizada em Campo Novo do Parecis (MT).
A filha dela, Liana, sobreviveu. Agora, a comunidade se mobiliza em busca de respostas sobre o atendimento médico e as condições do hospital onde o parto ocorreu. Larissa passou pelo procedimento no dia 2 de novembro e, segundo informações médicas, desenvolveu um quadro de sepse.
A sepse é infecção generalizada que evoluiu rapidamente, resultando em sua morte sete dias depois. O caso, que está sendo investigado pela Polícia Civil, levantou suspeitas de negligência médica e provocou forte comoção na cidade.
O companheiro de Larissa, o nutricionista Gabriel Henrique Weber, relatou a dor de ver os planos do casal interrompidos de forma inesperada. “Tínhamos tantos sonhos, planejamos juntos o nome da nossa filha, nossa casa… e, de repente, tudo foi tirado”, lamentou. Ele, assim como familiares e amigos, cobra justiça e melhorias no sistema de saúde do município.
A comoção se transformou em mobilização: moradores de Campo Novo do Parecis protocolaram na Câmara de Vereadores um pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Hospital Municipal, administrado pelo Instituto Social São Lucas.
A petição denuncia problemas estruturais graves, falta de insumos, superlotação e até o fechamento temporário do centro cirúrgico, fatores que, segundo os signatários, comprometem o direito à saúde e colocam vidas em risco.
O Instituto São Lucas afirmou que Larissa recebeu atendimento de urgência e assistência completa, mas não resistiu. Enquanto as autoridades apuram os fatos, a população local clama por mudanças e por um sistema de saúde mais humano, para que histórias como a de Larissa não se repitam.

